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  • Teletrabalho é catalisado pela crise

    A crise sem precedentes que estamos vivendo tem catalisado uma série de processos na sociedade, com especial relevância para a adesão acelerada ao teletrabalho para a maioria das profissões que viabilizam o exercício das atividades usando a tecnologia, de dentro de casa. O que a pandemia do novo coronavírus acabou forçando foi a realização de experimentos em massa que até poucos meses seriam improváveis. Quem poderia imaginar que as Casas do Congresso Nacional deliberariam em um plenário virtual, com deputados e senadores se amontoando, cada um em seu justo quinhão retangular na tela da TV da respectiva Casa. As quarentenas forçadas levaram à diminuição vasta abrupta do tráfego de veículos em praticamente todos os centros urbanos do mundo, o fechamento de praias, cinemas, shoppings centers e qualquer atividade humana não essencial que ocorra em ambientes com aglomeração. Além das mudanças bruscas no modo de vida de uma maioria da população global, a crise tem levado a uma aceleração de um processo que já vinha sendo muito discutido no mundo corporativo como algo inevitável para garantir a sobrevivência das empresas: a transformação digital. Um dos aspectos de maior relevância na transformação digital é exatamente a migração para o teletrabalho. Entre aspectos positivos desse formato de atividade estão a grande economia de horas de deslocamento, o desafogamento do trânsito e dos sistemas de transporte público, além da possibilidade de passar mais tempo com a família. O acolhimento do teletrabalho pela legislação brasileira ocorreu com a Reforma Trabalhista de 2017, com a inclusão do art. 75-B à CLT. O legislador optou por criar um conceito relativamente restritivo, que abrange apenas a situação que o mundo corporativo no Brasil conhece como home office. A opinião sobre a forma como a CLT trata o assunto varia na doutrina nacional. De todo modo, representou uma modernização significativa para a lei trabalhista. A grande questão é como o mundo do trabalho irá se comportar após este período. Na Alemanha, por exemplo, o teletrabalho aumentou de 12% para 25% em estudos preliminares. E o governo propõe tornar um direito do trabalhador a opção pela modalidade após o fim da crise. Será muito importante aproveitar esses experimentos como estudos de caso que poderão orientar ações futuras.

  • Pensando a inovação nas Relações Governamentais

    Pensando a inovação nas Relações Governamentais. Este foi o tema do evento, realizado na última semana de julho, pela Inteligov. O bate-papo marcado para acontecer ao vivo, em uma noite de quinta-feira, revelou o lançamento do mais novo projeto da casa: a Comunidade Inteligov! Beatriz Falcão, Community Manager & Policy Expert, foi a apresentadora do evento e iniciou a transmissão contando um pouco sobre a iniciativa. Segundo Beatriz, o propósito da Comunidade Inteligov é colocar em debate a inovação na área de RIG, não apenas a inovação no aspecto tecnológico, mas a inovação de uma forma humanizada. A ideia central da Comunidade é a de trazer as pessoas que estão iniciando na área para serem as protagonistas da discussão, pois são esses jovens que enfrentam as dificuldades de realizar o trabalho de base e de monitoramento. Raphael Caldas, CEO da Inteligov, também participou do lançamento. Caldas conta que a fundação da startup aconteceu em 2014, mas que na época já estava com o carro na rua, experimentando soluções e fazendo contato com pessoas que pudessem contribuir com o projeto. Muita coisa mudou na área desde então. Caldas destaca que nos dias de hoje é quase impossível pensar em fazer RelGov sem uma plataforma de monitoramento. Ou seja, foi a partir do momento que ele identificou dores em comum nos profissionais de RIG que foi possível pensar em uma solução mais abrangente. Sobre a Comunidade, o CEO enfatiza: “A inovação vai muito além da tecnologia e por isso foi importante criar essa Comunidade, para encontrarmos novas metodologias”. O fundador da Inteligov também destaca que uma das ideias da Comunidade é que ela não tenha um dono, mas que seja apropriada por quem vai participar, com o especial privilégio para quem está começando na carreira e para quem não tem tantos anos de experiência. “Os experientes também são muito bem-vindos, mas devemos dar protagonismo aos iniciantes, coisa que raramente acontece na área de RIG”, afirma. Os influenciadores Além de contar com Beatriz Falcão como gerente da comunidade, outras pessoas terão papel fundamental no projeto: os influenciadores. Eles serão responsáveis por auxiliar no engajamento das discussões, criar e indicar conteúdo e material que possa expandir o conhecimento sobre inovação. Além disso, poderão criar minicursos, orientar mentorias e orientar os próximos passos da iniciativa. Beatriz ressalta que a escolha por esses influenciadores se deu após uma observação que ela fez do mercado e percebeu, nesses jovens, um potencial criativo muito grande. Tirza Meleah Tirza é administradora de mídias sociais e empreendedora na empresa Révélé. Atualmente, cursa Relações Internacionais na Universidade Católica de Brasília, onde dedica grande parte de sua jornada a projetos sociais, bem como o projeto “Mulheres que Prezam por Mulheres”, onde trata sobre questões de gênero, e no projeto “Jovens do Brasil”, visando a politização e instrução de novos profissionais. “Eu entrei para a área de RIG por conta de projetos pessoais. São projetos que conversam muito com o ideal da Comunidade Inteligov, que é o de ouvir quem sente as dores e qual é a mudança necessária, o que precisamos mudar de maneira palpável. “Fiquei muito feliz com o convite da Beatriz, pois não é todos os dias que temos o respaldo de gente que já tem experiência na área e que pode nos ajudar a fazer mudanças no sistema.” Tirza Meleah Vinicios Pacheco Vinicios é estagiário de Relações Governamentais e de Assuntos Regulatórios na IBM Brasil. Ele migrou do departamento de business/comercial para RIG por acreditar que é uma das únicas áreas onde é possível realizar mudanças efetivas, tanto na parte de business quanto na parte social e de construção de políticas públicas. Gabriel Marques Gabriel está cursando o 6° semestre de Relações Internacionais pela Universidade Católica de Brasília, é Coordenador discente do Workshop RI UCB, voltado a temas de Relações Institucionais e Governamentais e empreendedor. Marques encontrou na área de RelGov um propósito e vê o mercado como um instrumento para a mudança social. Gabriel Barreto Gabriel é cientista político de formação, tem atuação profissional na área da política, experiência na Câmara dos Deputados e em consultoria. Atualmente integra o time de especialistas em RIG da Inteligov. “Vejo a Comunidade como um importante espaço para as pessoas que estão na base e que estão movendo as engrenagens do processo legislativo: apresentando sugestões de emenda, sugestões de projetos de lei, fazendo a interlocução direta com parlamentares e acompanhando o produto do trabalho do Congresso.” Gabriel Barreto Marcella Pellegrini Marcella é advogada e especialista em Direito Legislativo e atua como consultora de Relações Governamentais na BMJ Consultores Associados. Marcella diz que se encantou por Relgov por ser um mercado muito plural, com muitos profissionais de diversas formações, onde há muito para se aprender. Também acredita que a Comunidade será um espaço muito rico de troca e com oportunidades para encontrar soluções para muitos desafios, principalmente os que vieram com o pós pandemia. As dores do início da carreira Beatriz chama a atenção para as dores sentidas pelas pessoas que atuam na área de RIG. Neste momento, Caldas conta que foi a partir de uma dificuldade de realizar o monitoramento que se interessou em codar (ação de codificar, ato de desenvolver códigos ou algoritmos). Dessa forma, poderia encontrar uma solução mais viável para o seu trabalho, ou seja, a partir de uma dor pessoal nasceu uma inovação e, em seguida, uma empresa, que hoje oferece soluções para outros profissionais que passam pelos mesmos problemas. Para Tirza, uma situação a marcou logo quando começou a procurar estágio na área de RIG. A estudante fez uma entrevista de emprego onde pediam por experiência em monitoramento e questionou: “O estagiário está sendo estagiário ou está sendo uma mão de obra barata na empresa?”. Essa é uma dor recorrente entre os jovens que estão à procura de uma oportunidade para iniciar a sua carreira. Já para Gabriel Barreto, a dor que mais o incomoda é o descompasso entre a regra formal e a prática. Em linhas gerais, como é possível mostrar ao cliente que a regra pode ser modificada de acordo com a dinâmica da defesa dos interesses? Ou então, como chegar ao ponto de ter a compreensão aprofundada dos procedimentos internos? Barreto pontua que para ter essas respostas, os iniciantes precisam de alguém que os oriente: “Eu quero ser na Comunidade uma pessoa capaz de ensinar técnicas e procedimentos elementares que foram muito importantes na minha trajetória profissional”, conclui. A pandemia também foi responsável por desencadear muitos desafios para os profissionais de RIG. Marcella afirma que foi preciso reaprender a construir o relacionamento com stakeholders de maneira virtual após o distanciamento social. Sua maior dor foi entender como seria possível engajar os tomadores de decisão e marcar reuniões com os parlamentares. “Eu tive a sorte de ter pessoas guiando a minha carreira, agindo como facilitadores. É isso que eu tenho como expectativa na Comunidade, de ser alguém que ajude na carreira de outro profissional que está iniciando.” Marcella Pellegrini Outro problema citado foi a falta de comunicação entre o mercado e a universidade. Gabriel Marques pontuou que a universidade pode deixar o estudante muito distante da prática. “O jovem profissional fica sem ideia de como iniciar a construção de relacionamentos profissionais, como conseguir estágio e como encontrar projetos para participar.” Gabriel Barreto ainda complementou a ideia, afirmando que a falta de conexão entre ensino e mercado de trabalho fica ainda mais evidente fora do eixo Brasília – São Paulo, e espera que a Comunidade ofereça mais oportunidades de conexões fora da “panelinha”. A falta de inclusão também foi uma dor citada. Pacheco conta que não enfrentou as mesmas complexidades relatadas pelos colegas, porém, destaca a falta de representatividade no setor: “Ainda é difícil encontrar pessoas negras na área de RelGov, principalmente em cargos de liderança. Como único profissional negro no departamento a nível América Latina, carrego a responsabilidade de abrir mais portas para as minorias”, finaliza. “A pluralidade e as vivências diversas acabam trazendo novos caminhos, pois a diversidade traz inovação.” Vinicios Pacheco A Comunidade Inteligov é um espaço para você que atua em Relações Institucionais e Governamentais e tem o desejo de inovar na maneira de se fazer RelGov no Brasil. Trata-se de um espaço 100% digital, seguro e gratuito. Caso queira mais informações sobre como a Inteligov pode te ajudar a encontrar soluções inovadoras, agende uma demonstração!

  • Desmistificando o mercado de RIG

    O início da carreira profissional pode significar um grande desafio para quem está procurando o primeiro emprego e ainda não possui experiência na área escolhida. Para quem está se formando em Relações Institucionais e Governamentais (RIG), a regra não é diferente. Os cargos mais desejados pedem vivência e a prática no dia a dia do mercado, porém, para quem está à procura de um estágio, é possível seguir algumas dicas para tornar o seu currículo bastante atraente para as empresas. Para auxiliar os novos talentos, a Comunidade Inteligov tem realizado diversas ações para compartilhar conhecimento e fomentar a inovação nos processos realizados pelos profissionais de RIG. E, foi pensando em mostrar como destacar suas competências e habilidades que a estudante Tirza Meleah, coordenadora discente do workshop de RIG da Universidade Católica de Brasília (UCB) e influenciadora da Comunidade Inteligov, promoveu um talk para desmistificar o mercado de RelGov e ajudar quem está dando os primeiros passos para dentro da área. O bate-papo foi realizado no dia 10 de outubro e contou também com a participação de Beatriz Falcão, head de policy e gerente da Comunidade. De acordo com Tirza, a primeira pergunta que você deve se responder é: “Onde eu quero chegar?”. Isso porque é importante saber por onde você deve iniciar a construção do seu plano de carreira, como será a sua jornada de conhecimento e quais serão as habilidades e experiências importantes na sua formação. Um lobista pode atuar em organizações privadas, consultorias, multinacionais, bancos, sindicatos, etc. Portanto, saber o caminho que você quer trilhar é o primeiro passo para tomar as próximas decisões. E isso quer dizer que todos vão passar por todas as etapas de uma formação? Não! Essa é a regra, mas também pode acontecer de você pular algumas etapas, o que não é o usual. O comum é que você entre em uma empresa como um estagiário, torne-se trainee, assistente, analista e assim por diante. Como a área de RIG está em crescimento no Brasil, há muitos espaços a serem ocupados pelos profissionais que estão se formando, porém, é necessário ter em mente que da mesma forma que o mercado cresce, a concorrência também aumenta. Ou seja, você não precisa estar dentro de uma empresa para iniciar o seu desenvolvimento profissional. O ideal é buscar, desde o início da faculdade, por cursos, workshops e movimentar o seu networking. A estudante de RIG destaca que os colegas que estudam com você serão também os seus colegas de profissão, chefes ou clientes: “Crie pontes e nunca barreiras! Dê atenção a todos e faça aliados”, pontua. Preparando o currículo Já sabe onde você quer chegar? Então agora é o momento de fazer com que o seu currículo fale isso por você! Diferentes áreas de atuação exigem currículos distintos. Na prática, isso quer dizer que você vai precisar adequar o seu currículo para cada vaga que pretende concorrer. Ou seja, especifique com mais cuidado as suas habilidades que mais se assemelham aos pré-requisitos de cada processo seletivo, geralmente na descrição das vagas já é possível ter uma ideia do que estão procurando. Fique ligado também nas informações de bastidores, por exemplo, se um conhecido está divulgando a vaga, pergunte quais são os pré-requisitos essenciais e foque em desenvolvê-los. “Destaque no currículo as palavras-chave importantes para a vaga que você está concorrendo e deixe de fora tudo aquilo que é irrelevante.”, adverte Tirza. Neste processo de adequação do currículo, peça ajuda aos seus professores, eles podem dar dicas valiosas quanto ao conteúdo. Outro fator que vale a pena destacar é a objetividade das informações e a padronização de datas: “As empresas dificilmente te darão feedback positivo ou negativo sobre o seu currículo, portanto formate-o da maneira mais limpa e organizada possível”, indica Tirza. Se você não sabe como formatar um currículo, uma boa ideia é utilizar um modelo pronto do word para seguir uma padronização. Há também a possibilidade de escrever uma carta de apresentação. Essa é uma ferramenta muito útil para mostrar mais sobre você, exalar confiança e indicar uma boa relação com a escrita. Mas só faça a carta se realmente se sentir confortável para escrever. Se por acaso achar que não consegue cumprir com a tarefa de ser claro e objetivo, deixe a carta de lado e opte por indicar pessoas que podem te fazer uma boa referência, isso claro, depois de ter pedido pela permissão delas. Dica de ouro: não minta sobre as suas habilidades! Como encantar nas entrevistas? Gostaram do seu currículo e te chamaram para a entrevista. Agora é a hora de mostrar o seu diferencial em relação aos outros candidatos! Parece óbvio, mas é sempre importante destacar três fatores que, de cara, já podem causar uma boa impressão: seja pontual; seja polido na forma de falar; e vista-se com roupas limpas e que não chamem muito a atenção. “Evite roupas rasgadas, decotadas, chamativas e desalinhadas. Se a sua avó conservadora aprova a sua roupa para uma missa de domingo, então você está vestido de acordo para uma entrevista!”, brinca Tirza. Nunca vá despreparado para uma entrevista de emprego. Este é o momento em que o recrutador vai entender se você é a pessoa certa para a vaga, então não deixe de pesquisar sobre a empresa, mostre-se interessado em aprender e faça perguntas pertinentes sobre a função que você poderá vir a ocupar. Saber quem vai te entrevistar também é importante: “Entenda o campo de atuação da empresa e tente descobrir se a pessoa com a qual você vai conversar é da área de RIG ou do RH, assim você poderá dar respostas mais direcionadas.”, afirma Beatriz. Ao final da entrevista, lembre-se de perguntar em quanto tempo eles darão uma devolutiva. Essa também é uma forma de demonstrar interesse, e caso a empresa não te contrate, não hesite em pedir um feedback para saber quais são os pontos que você pode ajustar para uma próxima oportunidade. Por fim, redobre a atenção em suas redes sociais, principalmente nas postagens do LinkedIn! Tirza ressalta que “quem não é visto, não é lembrado”, portanto é essencial atualizar o seu perfil e fazer conexões com pessoas da área para ficar por dentro do que está acontecendo no mercado. Caso tenha dúvidas sobre o tipo ou a frequência das publicações, escolha por comentar semanalmente os eventos que você participou ou conte  insights interessantes que você teve sobre determinado curso. Mas é preciso tomar cuidado para não acabar se prejudicando: “Se você não está fazendo nada relacionado com a área de RIG, não poste opiniões muito pessoais. Assim como a carta de apresentação, o LinkedIn pode te ajudar ou atrapalhar muito, dependendo de como você se coloca”, destaca Beatriz. E, como último lembrete, Tirza ainda ressaltou que é possível ver no perfil quais foram as publicações curtidas pelo usuário, ou seja, é preciso prestar atenção aos assuntos que você endossa com os likes! O processo para iniciar a vida profissional pode ser trabalhoso, mas é necessário ter paciência, foco e dedicação! Não deixe de contar com pessoas que já passaram por essas etapas e que podem te ajudar contando sobre as suas experiências. A Comunidade Inteligov é um canal onde os novos talentos têm a oportunidade de se relacionar com grandes nomes da área, além de compartilhar conhecimento e contar com indicações de vagas, cursos e muito mais! Se você deseja fazer parte desse grupo, faça agora mesmo a sua inscrição!

  • O que são os Think Tanks?

    Você já ouviu falar em think tanks? Os think tanks, ou reservatórios de ideias, são organizações responsáveis por gerar pesquisas e análises sobre políticas públicas, questões sociais e econômicas. Essas instituições têm ganhado espaço nos últimos anos, tanto no Brasil quanto em diversos países. Elas exercem um importante papel na interlocução de agentes públicos e privados. Por meio da disseminação de conhecimento, ajudam a moldar a agenda pública e a influenciar as políticas governamentais. É por esse motivo que os think tanks são considerados um instrumento valioso para quem atua nas relações institucionais e governamentais (RIG). A partir da divulgação de levantamentos relevantes para a sociedade, os profissionais utilizam dados em suas estratégias para engajar a opinião pública. Além disso, os think tanks também operam como uma importante ferramenta no papel de simplificar informações geradas por instituições do governo. Elas tornam a linguagem mais acessível e contribuem para processos mais transparentes e democráticos. Segundo dados da Universidade da Pensilvânia, existem hoje cerca de onze mil think tanks espalhados pelo mundo. Essas organizações podem ser classificadas como autônomas ou podem estar ligadas ao governo, universidades, fundações, partidos políticos ou a empresas do setor privado. Como surgiram os think tanks? Foi no século passado que o conceito dos think tanks nasceu. Com origem nos Estados Unidos e na Europa, o termo foi utilizado pela primeira vez durante a Segunda Guerra Mundial. Na ocasião, os think tanks se referiam aos locais seguros onde os líderes se reuniam para desenvolver os planos militares com maior tranquilidade. Após o fim da guerra, o conceito se popularizou, e passou a ser utilizado para caracterizar as instituições de estudos e pesquisas. Principalmente nos Estados Unidos, onde a busca por soluções para problemas complexos já fazia parte da cultura de ensino. Por se tratar de um período em que as instituições dependiam de financiamento privado, a tendência demorou até chegar em outros países. Canadá e Austrália, por exemplo, só registraram a atuação de think tanks no final do século XX. No entanto, o número de think tanks na América Latina cresce a cada ano. No Brasil, já são mais de cem think tanks entre universidades, governos e fundações. O primeiro think tank do país, a Fundação Getúlio Vargas, surgiu em 1944, e nos anos seguintes outros três importantes think tanks nasceram. A partir de 1954, foram criados o Instituto Brasileiro de Relações Internacionais (IBRI), o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), e o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB). Qual a importância dos think tanks? Os think tanks são responsáveis por realizar pesquisas, estudos, relatórios e eventos para promover debates sobre temas de interesse público. Compostos por especialistas em diversas áreas, essas organizações tratam de pautas multidisciplinares e que afetam diversas camadas da sociedade. O objetivo dessas instituições é influenciar a opinião pública e os tomadores de decisão ao apresentar ideias e propostas que possam contribuir para a melhoria das políticas públicas. Por meio de estudos e análises, os think tanks ajudam a esclarecer questões complexas e a identificar desafios e oportunidades para o desenvolvimento econômico e social. Além disso, essas organizações ajudam a fomentar o debate público, apresentando diferentes perspectivas sobre temas relevantes como segurança internacional, globalização, governança, economia internacional, questões ambientais, informação e sociedade, redução de desigualdades e saúde. Exercer influência sobre as políticas governamentais também é uma das missões dos think tanks. Os relatórios e estudos produzidos por essas organizações podem ser utilizados pelos tomadores de decisão para embasar suas políticas públicas. Além disso, muitos think tanks têm acesso direto aos governos e às instituições políticas, o que lhes permite influenciar a agenda pública e as decisões governamentais. Conheça alguns dos principais think tanks do Brasil: Fundação Getulio Vargas (FGV) Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV USP) Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) No entanto, é importante ressaltar que nem todos os think tanks são iguais em termos de qualidade e independência. Algumas organizações são financiadas por grupos de interesse e podem ter uma agenda política clara. É fundamental, portanto, avaliar a credibilidade e a independência dos think tanks antes de se utilizar seus estudos e análises. Os desafios enfrentados pelos think tanks Embora a grande oferta de conteúdo possa oferecer muitos benefícios para quem precisa levantar dados sobre determinado assunto, produzir estudos de qualidade e com dados verificados é um dos principais desafios enfrentados pelos think tanks, em meio a uma era de excesso de informações. A sobrecarga de informações pode dificultar o processo de filtrar o que é relevante e atrapalhar o desenvolvimento de pesquisas mais aprofundadas. Por isso, os think tanks desempenham um importante papel no combate às notícias falsas e à desinformação. Além disso, para conseguir manter a sua credibilidade e relevância, os think tanks precisam ser compreendidos como instituições independentes e não partidárias, já que uma de suas premissas é promover o debate sobre questões políticas. Por esse motivo, muitas vezes essas instituições acabam optando por não vincular a sua imagem a empresas que defendem algum posicionamento, dificultando a obtenção de financiamento para a continuação de suas atividades. Por fim, apesar de seu papel importante em gerar estudos que podem orientar as decisões na política, muitas vezes os think tanks podem enfrentar dificuldades para acessar os atores-chave, responsáveis por definir as estruturas da criação das políticas públicas. Quer saber mais sobre o seu papel no combate à desinformação? Assista ao evento promovido pela Comunidade Inteligov com o Instituto Vladimir Herzog!

  • Monitoramento de Diários Oficiais: o caso da Sympla

    Realizar o monitoramento de diários oficiais de maneira assertiva e eficaz é um grande desafio para empresas e profissionais de Relações Institucionais e Governamentais (RIG). A tarefa de acompanhar as publicações e determinar o impacto que cada uma delas poderá gerar sobre os negócios não é simples. O processo de transformação digital adotado pelos governos conferiu à população maior proximidade com as ações dos três poderes. Mas, apesar do movimento de digitalização monitorar os atos do Poder Executivo por meio do Diário Oficial da União (DOU), o dia a dia desses profissionais demanda a inclusão de ferramentas e tecnologias específicas para que seja possível acompanhar o maior número de decisões no menor tempo possível. Isso se torna ainda mais crucial quando o objetivo é seguir de perto a atuação de estados e municípios por meio dos seus Diários Oficiais dos Estados (DOE) e Diários Oficiais dos Municípios (DOM). Um exemplo dessa necessidade pôde ser observado no último ano. Com a pandemia do novo Coronavírus, houve uma explosão na quantidade de decisões governamentais. Em 2020, o Congresso Nacional recebeu 101 Medidas Provisórias (MPs). O número foi o maior em quase duas décadas, segundo dados do Senado Federal. Desde o início de março do ano passado, quando foi publicada a primeira medida voltada ao combate à Covid-19, o Palácio do Planalto emitiu, em média, uma MP a cada dois dias úteis. Em comparação, desde 2001, o Poder Executivo assinou, no máximo, uma medida por semana. Com o recorde de iniciativas legislativas e publicações, inclusive nas esferas estadual e municipal, monitorar o legislativo e os diários oficiais de forma manual se tornou uma tarefa impraticável. Monitoramento dos diários oficiais e a solução da Sympla Com a aceleração das decisões por parte de todos os entes federativos e o número exorbitante de alterações ou inovações legislativas, investir no monitoramento inteligente foi a saída para muitas empresas, entidades do terceiro setor e mesmo órgãos públicos. O caso da Sympla é um dos exemplos de como organizações podem se beneficiar ao recorrer ao uso de plataformas digitais para realizar o acompanhamento e mensurar a influência de cada medida. A Sympla é uma das maiores empresas de tecnologia no mercado de eventos e venda de ingressos. Por meio de sua plataforma é possível que qualquer pessoa crie eventos de forma gratuita ou que cobre pelas atividades que organizar de uma maneira simples. O modelo de negócios da organização desempenha um importante papel social ao fornecer recursos para que as pessoas possam se conectar e trocar experiências sem custo. Um exemplo disso é a utilização do site por professores que criam eventos gratuitos para dar aulas de reforço aos estudantes da rede pública. Ou, ainda, empreendedores que usam a plataforma para disseminar conhecimento a fim de ajudar pequenos negócios. Mas, além do impacto social, a atuação da Sympla no contexto das Relações Governamentais evidencia a importância do monitoramento dos diários oficiais para se antecipar às medidas e atuar junto aos tomadores de decisão sobre temas de interesse. Os impactos da pandemia para os negócios da Sympla Diante do cenário da pandemia, o fechamento do setor de comércio e, principalmente, a proibição de eventos, mudaram radicalmente a atuação de diversas empresas do segmento. No caso da Sympla, que monitora projetos de lei a nível federal, estadual e municipal, se manter atualizado sobre qualquer novidade em relação à reabertura de eventos e acompanhar atos administrativos pelos diários oficiais dos entes subnacionais foi fundamental. Mas como isso foi feito em um contexto federativo com 26 Estados, o Distrito Federal e cerca de 5.700 municípios? Em entrevista exclusiva à Inteligov, Marília Robles, profissional de RIG e Government Affairs na Sympla, contou que a organização passou a acompanhar mais de perto as políticas públicas estaduais e municipais sobre eventos a partir de julho de 2020 e buscou manter os stakeholders atualizados. “Desde julho nós nos aperfeiçoamos na leitura de decretos e temos a informação na nossa mão, uma vez que podemos obter informações sobre o setor diretamente e não mais dependendo da veiculação na mídia”, conta. No entanto, segundo Robles, o trabalho realizado antes demandava a leitura dos diários oficiais manualmente e era bastante complexo, uma vez que o processo se dava pela busca de palavras genéricas (como “eventos”) e isso gerava resultados que, muitas vezes, não tinham ligação com o que as equipes estavam buscando. Mais do que isso, desenvolvendo a atividade de forma manual, não era possível buscar em mais do que 15 diários oficiais. “Hoje, com a Inteligov, nós cadastramos várias palavras que de fato nos auxiliam no monitoramento, como teatros, por exemplo, e dessa forma a informação vem bem mais certeira. Assim, a gente chega mais rápido ao decreto, que tanto proíbe quanto retoma a atividade, filtramos por data e vamos reduzindo a busca”, declara. Ela relatou que a cidade de Curitiba, um dos locais que a Sympla acompanha, proibiu a realização de eventos e voltou fases no plano de reabertura. Encontrar essa informação no Diário Oficial manualmente é uma atividade difícil porque, em muitos casos, o decreto encontrado não possui a informação exata, ele apenas menciona a alteração feita em cima de outro decreto. “No Diário Oficial, que é uma leitura difícil e está sempre com um decreto linkado a outro, não tem como a resposta ser fácil. Antes nós monitorávamos cada diário oficial de cerca de 10 capitais e era um trabalho cansativo e muitas vezes não conseguíamos todas as informações. Hoje temos ferramentas, com a Inteligov, que facilitam essa rotina”, explica. Robles conta que com a mudança de procedimento no modo de realizar o monitoramento dos diários oficiais, ao abandonar o acompanhamento manual e adotar a ferramenta desenvolvida pela Inteligov, a economia de tempo foi muito significativa. “Por dia eu levava em torno de 3 horas para fazer o monitoramento manual, que resultam em 15 horas semanais. Agora, não demoro 20 minutos a cada dois dias”. Com a redução do tempo na rotina diária de monitoramento, o profissional de RIG consegue concentrar seus esforços nas atividades estratégicas em relação às medidas que trarão impactos para o setor de atuação, gerando assim maior valor. Além disso, a cobertura pode aumentar de 10 capitais para cerca de 2.000 municípios, mantendo a redução de tempo conquistada. A adoção de recursos tecnológicos pela Sympla, a partir da utilização de ferramentas de monitoramento inteligente, foi essencial para que a organização pudesse fazer o monitoramento de diários oficiais de maneira simplificada. Os resultados impactaram tanto o trabalho do profissional responsável pelo acompanhamento, como a imagem da empresa e o fortalecimento de seu relacionamento com os stakeholders.

  • O profissional de RIG em uma empresa de tecnologia: o caso da Sympla

    Formada em Relações Internacionais pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), com foco em relação com investidor, Marília Robles fala sobre a atuação da Sympla em relações institucionais e governamentais, bem como sobre o uso da plataforma Inteligov no seu dia a dia. Como você chegou à área de Relgov? Eu trabalho com Relações Governamentais desde sempre. Já atuei na Câmara de Comércio Árabe, depois na Fiesp, atuando em Relações Internacionais e Governamentais. Depois de formada comecei a trabalhar na Stone Pagamentos, onde atuei por dois anos. Eu gosto muito de tecnologia, startup, inovação e lá vivenciei a trajetória de uma empresa que estava construindo uma área de relação governamental e sabia a importância desta área para um mercado de adquirência, que estava crescendo muito. Era um relgov muito diferente do que eu faço hoje, voltado para o Banco Central e Cade, então eu entrei em relgov já no high level do relacionamento – aquele em que não pode ter erro de jeito nenhum. A Stone era um player novo em um mercado extremamente competitivo, com forte presença de empresas antigas e bancos, e a empresa queria outra abordagem. Em seguida, recebi a oportunidade de ingressar na Sympla e hoje digo que vejo absolutamente tudo de relgov, desde processo de licitação para entender se é interessante para o negócio, até o relacionamento com vereadores e chefes de gabinete. Nós atuamos na esfera federal, estadual e municipal, até secretarias. Não é algo tão comum, mas temos bastante atuação em âmbito municipal, porque um Projeto de Lei que modifica a forma como é vendido o ingresso, ou um PL que obrigue alterações em uma plataforma, por exemplo, numa capital relevante, altera completamente o modelo de negócio. Com a minha formação, eu gosto de pensar que o bom profissional de relgov é generalista: ele entende de números, ele entende de branding para identificar qual será o impacto para a marca e para a empresa. Isso facilita muito, gosto de pensar que estou sempre alinhada ao negócio e consigo falar com propriedade – especialmente enquanto mulher, conversando com deputados e vereadores, cada vez que eu me empodero e entendo muito do meu setor, eu fico mais segura e consigo defender o setor como um todo. Como a Sympla funciona? A Sympla é uma empresa de tecnologia, com cerca de 400 colaboradores, e o nosso core business é a venda de ingressos, que pode ser tanto para uma aula de uma boleira que ensina a fazer bolos para 10 pessoas até o show do Nando Reis no Allianz Parque. A Sympla tem essa característica de ser uma plataforma “do it yourself”, onde qualquer pessoa pode acessar nosso site e criar um evento, atingindo clientes que muitas vezes não tinham esse suporte tecnológico ou financeiro para vender o ingresso. Além disso nós temos milhares de pessoas que entram no nosso site todos os dias buscando novas experiências. Essas pessoas talvez não estejam procurando um curso de matemática, por exemplo, mas elas vão encontrar na Sympla e talvez aquilo faça sentido para elas. Se elas quiserem a leitura de um livro, elas vão encontrar lá também ao mesmo tempo em que procuram um congresso enorme de tecnologia que acontece em Florianópolis. A Sympla tem essa característica e nós inovamos muito. Recentemente, durante a pandemia, antecipamos o lançamento de produtos por conta da proibição dos eventos no Brasil inteiro, nos reinventamos e criamos dois novos produtos: o Sympla Streaming, que é uma feature para você realizar o seu evento online dentro da plataforma, onde você consegue fazer todas as vendas e organizar todo o evento para que ele aconteça dentro de uma integração com a Sympla. Há algumas semanas, lançamos o Sympla Play, que é um produto focado em cursos online. Nele, o produtor de evento consegue elaborar um curso com todos os módulos necessários: inserir todas as suas aulas, avaliações, leituras, etc. É uma plataforma de conhecimento. O que eu escuto muito dos stakeholders é que a Sympla tem um importante papel social. Se você cria um evento para 100 pessoas para falar sobre a leitura de um livro e o disponibiliza de forma gratuita, nem o produtor, nem o comprador terão custo algum. Nós vemos aulas de reforço para estudantes da rede pública sendo realizadas pelo Sympla Streaming e isso é muito legal. Além da inovação, focamos em uma conduta ética e sustentável, pensando sempre no ecossistema do qual fazemos parte. A Sympla começou como uma startup, que é um modelo com muitos desafios de negócio, e o relgov pode não ser visto como uma prioridade. Como surgiu a criação dessa área? É normal startups iniciarem suas operações com áreas de expansão e depois, são criadas áreas de suporte e de continuidade do negócio. No caso da Sympla não foi diferente. Em 2019, o STJ entendeu pela ilegalidade da taxa de conveniência em um processo contra uma empresa. Essa decisão começou a repercutir no Brasil inteiro. Com este entendimento, deputados estaduais e federais, bem como vereadores, passaram a criar projetos de lei que tinham como objetivo proibir a cobrança da taxa de conveniência. Identificamos que isso era um problema, principalmente para o setor. Se um setor inteiro é afetado negativamente por uma legislação, nós temos um problema grave. Quando o Jurídico da Sympla começou, monitorou quase 10 projetos voltados para essa temática, a Sympla começou a atuar e optou por criar a área. Hoje nós acompanhamos muitos projetos de lei sobre esse assunto. Recentemente, o STJ reviu seu entendimento e manifestou-se pela legalidade, ou seja, a taxa é considerada lícita. Agora temos outro trabalho, o de comunicar todos esses stakeholders que ainda pretendem proibir a taxa. Vale dizer que a taxa de conveniência é a principal receita de qualquer empresa de venda de ingresso. Somos remunerados por meio dessa taxa, então uma proibição significaria modificar ou inviabilizar o modelo de negócio de todo o setor. A Sympla atua no monitoramento, já que é preciso acompanhar o que acontece no Legislativo e Executivo, mas vocês também fazem o papel de intervenção, no sentido de educar quem constrói as políticas públicas. Isso ocorre em todas as esferas? Nós atuamos por associação. O monitoramento da Sympla é interno, mas para além disso também fazemos parte de algumas associações. Uma delas é a Abrevin (Associação Brasileira das Empresas de Venda de Ingressos) e dentro dela temos uma consultoria de relação governamental. Nós fazemos o processo de identificação e compartilhamos na Abrevin. Lá nós temos um monitoramento, um controle, de quais projetos são prioritários. Isso varia de acordo com o modo que estes projetos estão tramitando. A partir disso, dividimos, elencamos alguns e damos início ao relacionamento. Quanto a esse papel educativo, é sempre o tema da nossa primeira reunião. Conversamos sobre o assunto, a importância do setor, trazemos números de quantas pessoas estão empregadas nesse setor e quantas usufruem dessa conveniência. A resposta é sempre “não sabíamos, não conhecíamos esse setor, esse setor é muito importante”. Se não tiver empresa de venda de ingresso, não tem evento. Isso porque a empresa está lá preparada para organizar o evento e não para fazer toda a gestão tecnológica e financeira que uma empresa de ingresso tem expertise em fazer. Parece simples, mas não é, por isso explicamos sempre para os stakeholders que na Sympla, por exemplo, metade da empresa é composta por times de tecnologia, para garantir que essa plataforma não tenha erros, para que a pessoa possa comprar seu ingresso sem problema algum, com segurança, transparência. Esse trabalho é sempre feito por meio da associação. Em relação ao nível de atuação, isso varia bastante. Nós temos projetos de lei a nível federal, estadual e municipal. Alguns merecem mais atenção a nível federal, só que o grande foco tem sido o estadual. Temos também alguns stakeholders-chave, então qualquer mudança nós sabemos quem precisamos manter atualizado sobre qualquer novidade. Mas a atuação principal é a nível estadual, porque a maior parte dos projetos identificados são projetos de lei de assembleias legislativas estaduais. Ainda em nível estadual, atualmente, estamos acompanhando de perto os decretos de fechamento ou reabertura de eventos. Você veio da área de meios de pagamento, atuando bastante no Executivo. Como é para você o balanço entre o trabalho com o Executivo e o Legislativo? Eu acho que em termos gerais, o trabalho é de trinta ou vinte por cento no Executivo e o restante todo no Legislativo. Hoje, no Executivo eu sinto que temos menos barreiras, a conversa é menos educativa e mais técnica, o que torna mais fácil porque não precisamos passar por todo o processo de explicação. Além disso temos o Executivo, e digo o Executivo Federal e até mesmo o Estadual, um pouco mais favorável à tecnologia, ao empreendedorismo, porque a questão do emprego e tributo está sempre muito clara para eles. Nós tratamos menos com o Executivo e o que queremos é que não precise chegar um Projeto de Lei nocivo no Executivo; nós queremos conseguir extingui-lo antes disso. Em relação à pandemia, como foi ter que começar a acompanhar, com a regularidade e antecipação, decretos estaduais e municipais, que antes vocês não precisariam? E quanto ao fato de serem surpreendidos com modificações bruscas por conta do momento? A pandemia é algo completamente inesperado. Para nós também foi uma escalada. A Sympla foi uma das primeiras empresas a criar um comitê de crise já em fevereiro, porque sabíamos que o cenário seria muito incerto e muito difícil. Logo no início começamos a ouvir rumores de que existiria o lockdown em várias cidades do Brasil. Apesar de não termos tido exatamente um lockdown, começamos a reunir pronunciamentos para entender o cenário e algo que fizemos dentro de relgov foi começar a criar uma espécie de clipping para a diretoria. Todo dia enviámos notícias falando sobre a pandemia e os impactos para o setor até que começou a, de fato, a proibição dos eventos e demos início a um processo novo de acompanhamento do Diário Oficial todos os dias. Primeiro proibiram eventos para até 500 pessoas e foram diminuindo até que chegou uma hora em que vimos que se São Paulo e Rio de Janeiro proibiram, o Brasil inteiro iria proibir. Nós documentamos, de modo a nos organizar, o que havia sido proibido e em quais termos. Quando chegou em 13 cidades houve uma paralisação geral do Brasil inteiro. O começo da pandemia demandou a leitura do Diário Oficial, mas acho que foi muito rápido. Em questão de cinco dias o Brasil inteiro estava proibindo eventos. Nós começamos, por volta de julho, o acompanhamento para a reabertura. Criamos um time de pesquisa interno, que surgiu por iniciativa da área de relgov, para acompanharmos como era o cenário internacional de retomada de eventos e o cenário nacional de, na época, fechamentos, e também as inovações que os produtores vinham fazendo. Essa equipe traz informação tanto para a Diretoria como para clientes produtores de eventos da Sympla, e acabamos criando alguns produtos externos. Com isso nós passamos a enviar newsletters semanais para todos os produtores de eventos que querem saber mais sobre eventos na pandemia. Desde julho nós nos aperfeiçoamos na leitura de decretos e temos a informação na nossa mão, uma vez que podemos obter informações sobre o setor diretamente e não mais dependendo da veiculação na mídia. Isso nos fez virar referência para empresas de eventos e para o setor como um todo. Nós até chegamos a fazer um evento na Sympla, chamado CS Talks, para apresentar protocolos de retomada e explicarmos como funcionam decretos para os clientes produtores de eventos da Sympla, a necessidade de ter um decreto para retomar e, com isso, passamos a agregar valor de inúmeras formas. Quais estratégias vocês desenvolveram para conseguir obter melhores resultados, monitorar o que precisavam e comunicar essas informações? Eu acho que organização é primordial, assim como a priorização. Nós temos reuniões internas diárias para repriorizar projetos e também temos planejamento da área. Nós definimos as prioridades em um período de três meses. Fizemos isso durante a pandemia porque tem coisas que fazem parte da rotina e precisam continuar sendo feitas, é preciso continuar monitorando os projetos de lei, por exemplo, e nós fazemos isso por meio da Inteligov e da associação. Nós temos planilhas e tabelas, toda movimentação nova é atualizada, e, de novo, organização é primordial. É preciso ter no mínimo um documento com o que você espera para os seus próximos meses ou até mesmo semanas. Com isso, conseguimos gerenciar bem. Estar muito atento às notícias, aos stakeholders para saber se precisamos falar com alguém etc. Existem materiais básicos de relgov que, somados ao monitoramento e ao planejamento de área, precisam estar sempre atualizados para a estratégia de negócio. Muitas empresas esperam métricas da área de relgov logo no início da criação da área, mas para uma empresa jovem como a Sympla, uma empresa que inova o tempo todo, é muito difícil colocar métricas. Nesse sentido, isso deixa de ser importante quando você está em constante crescimento, quando os objetivos mudam e você precisa mudar também. O que fazemos é estabelecer projetos como metas, definir entregáveis. Não adianta colocar métricas que não fazem sentido, é preciso pensar se o que estamos fazendo condiz com a estratégia do negócio, se é o que o C-Level precisa para tomar as melhores decisões. É preciso sempre alinhar o que é prioridade. Relgov tem que estar muito alinhado com o C-Level, com o CEO, senão não geramos o impacto esperado. Existe uma importância em monitorar os diários subnacionais por conta da divisão de competências constitucionais? É muito difícil acompanhar todas as capitais, então o que fazemos é acompanhar as principais, aquelas que estão alinhadas às nossas estratégias de negócios. Antes nós fazíamos a leitura dos diários buscando pela palavra “eventos” e era muito complicado, mas houve uma curva de aprendizado para entender quais termos fariam sentido. Hoje, com a Inteligov, nós cadastramos várias palavras que de fato nos auxiliam no monitoramento, como teatros, por exemplo, e dessa forma a informação vem bem mais certeira. Assim, a gente chega mais rápido ao decreto, que tanto proíbe quanto retoma a atividade, e também filtramos por data e vamos reduzindo a busca. Nós temos muitos lugares para acompanhar, ou seja, eu posso ver por meio de notícias que a cidade de Curitiba, por exemplo, fechou, voltou fases no plano de reabertura. E aí como eu encontro isso? Às vezes o decreto não contém nenhuma palavra que remete a evento, ele só fala sobre a alteração feita em cima de outro decreto, então você tem que reduzir a busca para somente a data. A partir das informações que eu tenho em mãos, eu vou refinar a busca para pesquisas. No Diário Oficial, que é uma leitura difícil e está sempre com um decreto linkado a outro, não tem como a resposta estar fácil. Antes nós monitorávamos cada diário oficial de cerca de 10 capitais, todos os dias, e era um trabalho cansativo e muitas vezes não conseguíamos todas as informações. Hoje temos ferramentas, com a Inteligov, que facilitam essa rotina. Com essa mudança de procedimento, ao parar de fazer o monitoramento manual para passar a utilizar uma ferramenta da Inteligov, o quanto você economizou de tempo por semana na sua rotina? Muito! Por dia eu levava em torno de 3 horas para fazer o monitoramento manual, que resultam em 15 horas semanais. Agora, eu acho que não demoro 20 minutos a cada dois dias. Sobre o Sympla Play, vocês começaram com cursos online e em breve lançarão para entretenimento também. Isso ocorreu por conta de algum desafio regulatório? Teve algum papel da área de relgov? O foco da plataforma é conhecimento, mas outros campos têm sido explorados. Do ponto de vista de Relgov, desde que a ideia surgiu nós começamos pesquisas para entender onde nos encaixamos na regulação, no mercado de on demand, over the top, e o que somos. Nós estudamos regulação da Anatel e da Ancine, e entendemos que não estamos dentro de nenhuma categoria regulada. Mas também sabemos que é um novo mercado e um novo desafio regulatório, então é possível que sejamos enquadrados em novas formas, novos mercados, novos tipos de empresa. Estamos atentos a qualquer movimentação da Anatel e da Ancine, entendendo como o nosso mercado, esse mercado de on demand, se comporta. Novos desafios vão surgir dentro desse mercado. Nós estamos de olho. Pensando na sua carreira toda e no que a Sympla fez, você tem algum conselho para deixar para quem precisa montar uma área de relgov e para quem está pensando em começar a monitorar a legislação? Acredito que para começar uma área de relgov, ela deve começar muito organizada. Projetos de lei surgem, você perde o controle deles, o controle dos stakeholders. Eu acho que uma coisa que pouca gente faz é guardar os números, os e-mails e informações sobre aquele stakeholder que você conversou. Parece besteira, mas muitas pessoas não fazem isso e quando precisam não têm essas informações. E, para além disso, eu acho que a experiência é fundamental, estar sempre em contato com o meio, envolver-se em novos temas, isso é algo que vai além da sala de aula. Minha dica é para que as pessoas participem e se envolvam em todos os projetos que fazem sentido para a área de relgov na empresa. Hoje eu toco outros projetos que me dão uma visão maior do negócio e, para relgov, você precisa conhecer muito bem o seu negócio. Às vezes você acha que precisa atuar em um projeto de lei, que na verdade mostra-se menos importante, porque a empresa vai mudar a estratégia de negócio. Dessa forma, acho que estar em contato, fazer relacionamento com C-Level, construir a imagem interna da empresa para que as pessoas possam te procurar para um conselho de especialista antes de tomar decisão, é muito importante. Eu acredito que você vence na empresa quando você ouve o C-Level falando que não consegue mais tomar uma decisão sem um report de relgov. Acho que é isso que uma área de relgov deve fazer: tem que ajudar na continuidade e crescimento do negócio. Do ponto de vista mais pessoal, e falando deste mercado de tecnologia, o início da carreira é um momento importante para muita dedicação ao trabalho, networking com pessoas dentro da empresa e fora, reconhecimento do negócio e entendimento do setor que você está inserido. Fazer cursos também vale muito a pena, porque são eles que vão fazer você colocar em prática o que acabou de aprender. E acredito também que após esse momento de conhecimento da empresa, do mercado e das duas prioridades de carreira, cursos mais extensos como uma pós ou um MBA fazem sentido. Para dar início a uma área de relgov, é preciso networking, testes, falhas, acertos, organização e constante lembrança sobre propósito.

  • É seguro usar uma plataforma de monitoramento governamental?

    Nos últimos anos, tem havido uma crescente demanda por soluções tecnológicas que facilitem o monitoramento de dados governamentais, a gestão de informações e a organização de dados para relatórios personalizados. No contexto específico do monitoramento governamental, onde informações sensíveis sobre políticas, regulamentações e ações legislativas são essenciais, a segurança se torna um fator ainda mais relevante. Empresas como a Inteligov têm se destacado nesse cenário, oferecendo ferramentas avançadas que utilizam inteligência artificial para simplificar processos complexos, como a coleta e organização desses dados. Mas surge a pergunta: é seguro confiar em uma plataforma de monitoramento governamental? Neste artigo, vamos explorar essa questão, comparando os processos automatizados com os manuais e destacando os benefícios da adoção de soluções tecnológicas para garantir a segurança e eficiência das operações. Processos manuais vs. processos automatizados Em meio a uma infinidade de debates para decidir sobre regulamentações governamentais, empresas e organizações precisam acompanhar de perto os projetos de lei, as políticas públicas e outras iniciativas legislativas que possam impactar seus negócios. Nesse sentido, o monitoramento legislativo é essencial para garantir o compliance e as relações governamentais adequadas. No entanto, quando esse processo é realizado manualmente, há uma série de desafios que podem comprometer a eficácia e a segurança das operações. Coleta e organização de dados Com a coleta e organização humana de dados governamentais, os processos estão mais suscetíveis a erros, o que pode levar a interpretações equivocadas ou a falta de informações relevantes. Imagine uma equipe responsável por acompanhar projetos de lei utilizando planilhas de Excel: cada membro pode inserir dados de forma diferente, resultando em inconsistências e dificuldades na análise dos dados. Em contrapartida, uma plataforma de monitoramento governamental baseada em inteligência artificial é capaz de coletar, organizar e analisar grandes volumes de dados de forma automatizada e precisa. Isso reduz significativamente o risco de erros e garante a integridade e a consistência das informações. Acesso e interação Outro ponto a ser considerado é o acesso aos dados e a facilidade de interação entre os usuários. Com processos manuais, é comum que diferentes membros da equipe tenham versões desatualizadas das informações ou que enfrentem dificuldades para compartilhar dados e colaborar em tempo real. Uma plataforma de monitoramento governamental oferece uma solução centralizada, permitindo que os usuários tenham acesso a um mesmo projeto, facilitem a interação e ganhem produtividade. Por exemplo, é possível comentar em um projeto de lei específico, compartilhar insights e colaborar de forma eficiente, garantindo que todos estejam na mesma página. Segurança e auditoria Além disso, a segurança dos dados e a capacidade de realizar auditorias são aspectos fundamentais quando se trata de monitoramento governamental. Com processos manuais, é difícil garantir a segurança dos dados, uma vez que as planilhas de Excel podem ser facilmente editadas e compartilhadas sem controle adequado. Uma plataforma de monitoramento governamental oferece recursos avançados de segurança, como permissões de acesso personalizadas e trilhas de auditoria detalhadas. Na prática, isso faz com que seja possível rastrear as atividades realizadas na plataforma, identificar quem acessou determinados dados e garantir a conformidade com as regulamentações de proteção de dados. Registro de interações com stakeholders Além de garantir a segurança dos dados e a conformidade com as regulamentações de proteção de dados, uma plataforma de monitoramento governamental também oferece a capacidade de registrar as interações com stakeholders. Isso significa que é possível acompanhar e registrar todas as comunicações e interações realizadas com empresas, autoridades governamentais e outras partes interessadas. Com esse registro detalhado, as organizações podem avaliar o nível dos relacionamentos com diferentes stakeholders e identificar oportunidades de engajamento. Além disso, o registro de interações permite saber exatamente quem da equipe está realizando as interações, garantindo a transparência e a responsabilidade dentro da organização. Mais importante ainda, o registro de interações ajuda a garantir o compliance das empresas e autoridades contatadas. Ao documentar todas as comunicações e garantir que elas estejam alinhadas com as políticas e diretrizes da organização, as empresas podem reduzir o risco de violações regulatórias e proteger sua reputação no mercado. Eficiência e redução de erros Por fim, a automação oferecida por uma plataforma de monitoramento governamental traz uma série de benefícios em termos de eficiência e redução de erros. Processos automatizados evitam os esquecimentos humanos e garantem que as tarefas sejam executadas de forma consistente e dentro dos prazos estabelecidos. Exemplos práticos de segurança em plataformas de IA As plataformas de monitoramento governamental desempenham um papel fundamental para empresas e profissionais de relações governamentais ao fornecerem informações atualizadas e relevantes sobre mudanças na legislação, políticas públicas e decisões dos órgãos governamentais. No entanto, o uso dessas plataformas requer confiança na segurança dos dados que são manipulados e armazenados. Uma das medidas de segurança mais básicas e essenciais em qualquer plataforma de monitoramento governamental é a criptografia de dados. A criptografia de dados sensíveis funciona transformando as informações em um código secreto. Esse código só pode ser decifrado por quem tem a chave correta, garantindo que as informações permaneçam protegidas contra acesso não autorizado. É como trancar uma mensagem em um cofre, só quem tem a chave certa pode abrir e ler o que está dentro. Essa tecnologia garante a segurança e a integridade dos dados, mesmo em um ambiente online. Outro exemplo são os controles de acesso granulares, que funcionam como um sistema de chaves mestras em um prédio grande. Eles garantem que cada pessoa só possa acessar as salas e áreas específicas que são necessárias para o seu trabalho. Neste caso, em uma plataforma de monitoramento governamental, os administradores podem configurar quem pode ver quais informações e quais funcionalidades podem usar. Isso evita acessos não autorizados e mantém os dados seguros. Em resumo, é seguro usar uma plataforma de monitoramento governamental? A resposta é sim, desde que sejam adotadas as medidas adequadas para garantir a segurança e a integridade dos dados. Comparado aos processos manuais, os processos automatizados oferecem uma série de vantagens, incluindo maior precisão, acesso facilitado às informações, segurança aprimorada e eficiência operacional. Empresas como a Inteligov estão na vanguarda dessa revolução tecnológica, oferecendo soluções inovadoras que permitem às organizações acompanhar de perto os desenvolvimentos legislativos e garantir o compliance. Ao investir em uma plataforma de monitoramento governamental baseada em inteligência artificial, as empresas podem não apenas aumentar sua competitividade, mas também mitigar os riscos e tomar decisões mais informadas em um ambiente regulatório em constante evolução. Conheça as soluções da Inteligov e transforme a sua rotina de monitoramento e gestão de informações!

  • Regras para eleições 2024: um guia completo para candidatos e eleitores

    As eleições de 2024 no Brasil estão se aproximando e é essencial que candidatos e eleitores estejam cientes das regras e prazos estabelecidos para garantir uma participação satisfatória no processo eleitoral. Este artigo destaca as principais regras, datas e regulamentações e fornece orientações importantes para todos os envolvidos no processo democrático. Calendário eleitoral 2024: cumprindo prazos para uma participação eficiente O calendário eleitoral para as eleições de 2024 no Brasil está repleto de datas chave que os candidatos, partidos políticos e eleitores precisam estar cientes. Cumprir esses prazos é fundamental para garantir uma participação eficaz no processo eleitoral e evitar penalidades legais. A seguir, confira alguns dos processos eleitorais mais importantes que devem acontecer antes do pleito: Janela partidária A janela partidária é um período determinado dentro do calendário eleitoral em que os políticos que já ocupam cargos eletivos podem trocar de partido sem o risco de perder seus mandatos. Essa oportunidade oferece aos políticos a liberdade de buscar novas alianças partidárias, geralmente motivadas por estratégias políticas, ideológicas ou pragmáticas. Este ano, o período da janela partidária aconteceu entre 07 de março e 05 de abril. Propaganda eleitoral A propaganda eleitoral é uma ferramenta importante para os candidatos divulgarem suas propostas e conquistarem votos. No entanto, deve-se respeitar os prazos e regras estabelecidos pela legislação eleitoral. Este ano, a propaganda eleitoral será permitida a partir de 16 de agosto e deve terminar um dia antes do pleito. Propagandas eleitorais gratuitas podem ser realizadas de várias maneiras, incluindo comícios, carreatas, distribuição de material gráfico, propagandas na internet, redes sociais, rádio e televisão. No entanto, existem restrições quanto ao tipo de propaganda que pode ser veiculada e os locais onde ela pode ser realizada. Por exemplo, a propaganda eleitoral na internet e em redes sociais deve respeitar as regras de impulsionamento de conteúdo, identificação de autoria e não disseminação de fake news. O descumprimento dessas regras pode resultar em multas e até na impugnação da candidatura. Saiba mais sobre a diferença entre campanhas eleitorais e marketing político. Prestação de contas Outro aspecto extremamente importante do processo eleitoral é a prestação de contas das campanhas. Os candidatos e partidos políticos têm prazos definidos para apresentar suas prestações de contas à Justiça Eleitoral, tanto para o primeiro quanto para o segundo turno, se aplicável. É fundamental manter a transparência e a legalidade nas finanças das campanhas, fornecendo todas as informações exigidas dentro dos prazos estabelecidos. O descumprimento dessas obrigações pode acarretar em sanções graves, como a inelegibilidade e a cassação do mandato. Mas afinal, quem pode se candidatar? O processo para participar das eleições começa com o registro das candidaturas. As convenções partidárias, onde os candidatos são escolhidos, devem ocorrer até o final de agosto de 2024, de acordo com as leis eleitorais. Depois de selecionados, os candidatos precisam registrar suas candidaturas junto à Justiça Eleitoral dentro do prazo determinado. Isso é crucial para garantir que estejam oficialmente autorizados a concorrer nas eleições e tenham seus nomes incluídos nas cédulas de votação. De acordo com as regras estabelecidas pela Resolução-TSE 23.729/2024, aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 27 de fevereiro, qualquer cidadão brasileiro que atenda aos requisitos constitucionais de elegibilidade pode se candidatar a cargos eletivos, desde que não seja inelegível de acordo com a lei. Esses requisitos incluem ter nacionalidade brasileira, possuir direitos políticos, ter domicílio eleitoral na circunscrição em que deseja concorrer, atender à idade mínima exigida para cada cargo e estar filiado a um partido político. A filiação partidária é essencial para os candidatos e deve ser feita até 6 de abril do ano da eleição. As convenções partidárias, onde os candidatos são escolhidos, acontecem entre 20 de julho e 5 de agosto. Depois disso, os partidos têm até 15 de agosto para registrar os nomes dos candidatos na Justiça Eleitoral. Regras para eleitores: direitos e responsabilidades no processo eleitoral Assim como os candidatos, os eleitores também desempenham um papel fundamental no funcionamento da democracia ao exercer o seu direito de escolher os representantes que irão governar o país. No contexto das eleições de 2024, compreender as regras e responsabilidades dos eleitores é essencial para garantir um processo eleitoral justo. Veja a seguir as principais diretrizes sobre deveres e direitos dos eleitores durante todo o ciclo eleitoral: Registro eleitoral O primeiro passo para participar das eleições é garantir que você esteja devidamente registrado como eleitor. O registro eleitoral é obrigatório para todos os cidadãos brasileiros alfabetizados maiores de 18 anos e menores de 70 anos. Para se registrar, é necessário apresentar um documento oficial com foto, como RG, carteira de motorista ou passaporte, além do título de eleitor, se já tiver. O prazo para registro eleitoral geralmente termina cerca de três meses antes das eleições. Prisão de eleitores Durante o período eleitoral, existem restrições específicas relacionadas à prisão de eleitores, visando garantir a liberdade e a integridade do processo democrático. A partir de 1º de outubro, cinco dias antes do dia da eleição, eleitores e eleitoras estão protegidos contra prisões, salvo em determinadas circunstâncias. A exceção ocorre nos casos de flagrante delito, cumprimento de sentença judicial por crime inafiançável ou em situações em que haja desrespeito a salvo-conduto. Essas medidas visam garantir que os eleitores possam exercer livremente seu direito ao voto, sem coerção ou interferências ilegais. Justificativa eleitoral Para eleitores que não puderam comparecer às urnas durante os pleitos eleitorais, a justificativa eleitoral é uma importante ferramenta para regularizar sua situação perante a Justiça Eleitoral. Aqui estão as orientações sobre como proceder com a justificativa: Para o 1º Turno: eleitores que não votaram no 1º turno e não puderam justificar sua ausência no dia da eleição têm até o dia 5 de dezembro de 2024 para apresentar sua justificativa. Isso pode ser feito de forma presencial, em qualquer cartório eleitoral, ou de maneira online, através do e-Título ou pelos Portais do TSE e dos TREs na internet. Para o 2º Turno: no caso de ausência no 2º turno da eleição, a justificativa deve ser realizada até o dia 7 de janeiro de 2025. Os eleitores têm o mesmo período de tempo para apresentar sua justificativa, seja de forma presencial nos cartórios eleitorais ou de maneira digital pelos meios mencionados anteriormente. Procedimento: para justificar a ausência, o eleitor deve preencher um formulário de justificativa eleitoral, indicando o motivo da impossibilidade de comparecimento no dia da votação. É importante fornecer informações precisas e verdadeiras para evitar problemas futuros. Importância do cumprimento das regras e prazos Conhecer e cumprir as regras eleitorais brasileiras não se trata apenas de cumprir a lei, mas também de garantir a eficiência no processo democrático. O respeito às normas contribui para a organização e regularidade das eleições, promovendo a igualdade de oportunidades entre os candidatos e assegurando a lisura do pleito. Além disso, seguir o calendário eleitoral permite que os eleitores tenham acesso às informações necessárias sobre os candidatos e suas propostas dentro do tempo adequado, facilitando a tomada de decisão nas urnas. Desse modo, é responsabilidade de todos os envolvidos no processo, desde os candidatos e partidos políticos até os órgãos responsáveis pela fiscalização, garantir que esses prazos sejam respeitados. Precisa acompanhar as decisões que impactam o processo eleitoral? Conheça a Inteligov e monitore todos os projetos que visam a reforma do código eleitoral no Brasil.

  • O que são dados abertos governamentais?

    Nos últimos anos, os dados abertos governamentais emergiram como um recurso indispensável, impulsionando a transparência, a participação cívica e a inovação. Disponibilizados pelos governos de forma livre e gratuita, esses dados oferecem uma visão detalhada das engrenagens governamentais. Nesse sentido, os dados abertos são reconhecidos como uma ferramenta determinante para fortalecer os processos democráticos. Eles não apenas capacitam os cidadãos comuns a se envolverem mais ativamente, mas também estabelecem uma base sólida para uma comunicação eficaz entre os cidadãos e seus representantes. Quando os cidadãos têm acesso transparente a propostas políticas, os políticos podem representá-los de forma mais autêntica, ouvindo e agindo de acordo com as necessidades e opiniões de seus eleitores. Neste artigo, vamos explorar de forma detalhada o significado e o impacto dos dados abertos governamentais, destacando sua importância, benefícios, exemplos práticos e o papel fundamental que desempenham na sociedade e nos negócios. Dados abertos governamentais: informação pública Os dados abertos governamentais representam um conjunto de informações mantidas e divulgadas pelos órgãos públicos. Esses dados são caracterizados pela sua acessibilidade e interoperabilidade, permitindo que sejam facilmente acessados, utilizados e compartilhados por qualquer pessoa. Essa acessibilidade é um dos princípios fundamentais dos dados abertos governamentais, garantindo que não haja barreiras para o acesso à informação pública. Além da acessibilidade, os dados abertos governamentais também são regidos por outros princípios importantes. Um deles é a transparência. A Política de Dados Abertos no Brasil, embasada na Lei de Acesso à Informação (LAI), representa um marco na promoção da transparência e participação cívica nos órgãos e entidades federais. Seus objetivos principais incluem promover a transparência pública, estimular o controle social, fomentar a inovação e aprimorar os serviços públicos digitais. Para garantir a efetividade da política, é essencial que os órgãos federais cumpram suas obrigações de publicar dados abertos, conforme orientações do Comitê Gestor da Infraestrutura Nacional de Dados Abertos (CGINDA). A gestão e monitoramento da política são atribuições da Controladoria-Geral da União (CGU), por meio da Infraestrutura Nacional de Dados Abertos (INDA), que define padrões e tecnologias para a disseminação de dados. Essas informações podem ser visualizadas em uma variedade de plataformas e portais online. Muitos governos disponibilizam esses dados em seus próprios sites, organizados em catálogos ou bancos de dados específicos. Além disso, existem portais de dados abertos governamentais e plataformas de coleta e gestão, que agregam e organizam as informações em um único local, facilitando o acesso e a busca por palavras-chave específicas. Plataformas como o data.gov nos Estados Unidos, o dados.gov.br no Brasil e o dados.gob.es na Espanha são exemplos de portais governamentais que oferecem acesso a uma ampla gama de dados abertos em diferentes áreas, como saúde, educação, transporte, entre outros. Esses portais geralmente oferecem recursos de busca avançada, visualização de dados e ferramentas de análise para facilitar a exploração e o uso dos dados por parte dos cidadãos, pesquisadores e desenvolvedores. Utilização dos dados abertos governamentais A observação dos dados abertos governamentais é essencial para o bom funcionamento da sociedade e da economia, proporcionando uma compreensão mais abrangente das políticas públicas e práticas governamentais. Isso porque a avaliação e o acompanhamento dessas informações fortalece a democracia ao permitir que os cidadãos participem ativamente do processo de governança. No âmbito empresarial, os dados abertos governamentais representam uma fonte infindável de insights e oportunidades. Por exemplo, imagine uma empresa de tecnologia que desenvolve soluções para mobilidade urbana. Ao acessar os dados abertos sobre transporte público, tráfego e infraestrutura viária disponibilizados pelo governo local, essa empresa pode identificar padrões de deslocamento da população, pontos de congestionamento e áreas carentes de transporte público. Com base nessas informações, ela pode desenvolver aplicativos de navegação mais eficientes, sistemas de compartilhamento de carros ou até mesmo propor melhorias na infraestrutura de transporte. Além disso, os dados abertos podem ajudar as empresas a se defenderem de riscos potenciais. Por exemplo, uma empresa de agronegócio pode monitorar os dados abertos sobre condições climáticas, previsões de safra e políticas governamentais relacionadas ao setor agrícola. Essas informações podem ajudá-la a antecipar problemas como secas, pragas ou mudanças na legislação que possam afetar suas operações. Tomando conhecimento desses insights, a empresa pode tomar medidas proativas, como diversificar sua produção ou investir em tecnologias de irrigação mais eficientes, para mitigar esses riscos. Em suma, os dados abertos governamentais oferecem às empresas a oportunidade de inovar, identificar tendências de mercado e se adaptar a mudanças no ambiente regulatório. Ao aproveitar esses dados de forma criativa e inovadora, as empresas podem ganhar vantagem competitiva, melhorar sua tomada de decisões e contribuir para o desenvolvimento econômico e social. Desafios e limitações na utilização de dados abertos governamentais Apesar dos benefícios inegáveis dos dados abertos governamentais, enfrentamos uma série de desafios que podem dificultar sua disponibilização e uso efetivo. Entre esses desafios, destacam-se questões como a qualidade dos dados e acessibilidade, que representam verdadeiros obstáculos para uma utilização eficaz desses recursos. Um dos principais desafios enfrentados é a qualidade dos dados. É essencial que os dados disponibilizados pelos órgãos governamentais sejam precisos, atualizados e confiáveis para que possam ser utilizados com segurança em análises e tomada de decisões. Problemas como inconsistências nos registros, falta de padronização e ausência de metadados podem comprometer a utilidade e a credibilidade dos dados abertos. Outro desafio significativo é a acessibilidade aos dados. Nem todos os portais têm a capacidade ou o compromisso de disponibilizar dados de forma aberta e acessível ao público. Muitas vezes, as informações governamentais estão dispersas em diferentes sistemas e formatos, dificultando sua localização e uso por parte dos cidadãos e das empresas. Tecnologia como aliada na gestão de dados abertos governamentais Para superar esses desafios, é importante que os órgãos públicos adotem padrões e práticas de disponibilização de dados mais consistentes e transparentes. A padronização dos formatos de dados, a implementação de políticas claras de privacidade e segurança e o investimento em infraestrutura tecnológica adequada são passos essenciais para garantir a qualidade e a acessibilidade dos dados abertos governamentais. Nesse contexto, plataformas de monitoramento governamental podem transformar a experiência de profissionais que dependem dessas informações. Essas plataformas têm a capacidade de coletar, organizar e disponibilizar dados governamentais de forma prática e rápida, facilitando o acesso e a análise dessas informações por parte das empresas. Ao oferecer insights sobre políticas públicas, legislação e tomada de decisões governamentais, plataformas como a Inteligov criam oportunidades de mercado e fortalecem as estratégias de relações governamentais das organizações, contribuindo para o bom funcionamento das operações em diversos setores. Entre em contato com a nossa equipe e conheça os benefícios de contar com a Inteligov para montar estratégias baseadas em dados abertos governamentais.

  • Crise da dengue no Brasil influencia aumento nas iniciativas legislativas

    A situação da epidemia de dengue no Brasil atingiu um novo ápice em 2024, com números alarmantes que evidenciam uma crise de saúde pública sem precedentes. Segundo dados do Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde, até o dia 25 de abril deste ano, o país já contabilizava 3.921.271 casos prováveis da doença, resultando em 1.888 mortes confirmadas e 2.218 óbitos em investigação. Comparativamente, o ano de 2015, até então considerado o mais crítico da última década, registrou 1.696.340 casos e 986 óbitos. Em contraste, o ano de 2023, marcado pela maior letalidade, contou com 1.094 mortes. Este ano, além do aumento expressivo nos casos e mortes, um dado chama particularmente a atenção: o aumento de 1400% no número de projetos de lei ordinária e requerimentos no Congresso Nacional, todos destinados ao combate à epidemia de dengue no Brasil. Esse dado, levantado pela plataforma de monitoramento de dados governamentais, Inteligov, representa um aumento de 15 vezes em relação ao ano anterior, evidenciando a urgência e a dimensão da crise enfrentada. A disseminação da dengue também revela um novo padrão preocupante: a doença está se espalhando mais rapidamente e alcançando regiões antes não afetadas. Em 2024, os picos da epidemia começaram já em fevereiro, antecipando o período usual de abril. Além disso, houve uma tendência de interiorização da doença, afetando não apenas as regiões metropolitanas, mas também cidades menores com menor acesso a serviços de saúde, o que agrava a situação. Profissionais da área afirmam que a dificuldade em acessar serviços de saúde pode explicar em parte o alto número de mortes registradas. No entanto, a crise atual revela falhas sistemáticas no enfrentamento à doença ao longo das décadas. A dengue, apesar de considerada "natural" em algumas regiões, é, na verdade, resultado de erros recorrentes nas políticas de prevenção e controle. Apesar do cenário sombrio, há pontos de esperança. O Brasil tornou-se o primeiro país a disponibilizar uma vacina contra a dengue no sistema público de saúde, e está próximo de tornar-se produtor desse imunizante. No entanto, medidas mais eficazes de prevenção e controle são urgentemente necessárias para conter o avanço da epidemia. Além dos impactos diretos na saúde pública, a epidemia de dengue também tem repercussões econômicas significativas. Estima-se que a atual emergência sanitária possa causar uma queda de até R$7 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do país, com custos relacionados ao tratamento que podem chegar a R$5,2 bilhões. Diante desse cenário, é essencial uma ação coordenada entre governo, sociedade civil e instituições de saúde para enfrentar essa crise de saúde pública que afeta milhões de brasileiros. Além de evidenciar a urgência e a dimensão da crise ocasionada pela dengue, o dado revelado pela Inteligov ressalta a importância de ferramentas como essa para profissionais que precisam mapear as políticas públicas relacionadas à saúde no Brasil. Com a capacidade de monitorar, não apenas o aumento expressivo no número de projetos de lei destinados ao combate da dengue, mas também outras mudanças nos âmbitos legislativo e regulatório que impactam áreas críticas como setor farmacêutico, de saneamento e normas e fiscalização de agências reguladoras, a Inteligov oferece uma diversificada fonte de informação e insights para tomadores de decisão. Ao acompanhar de perto as políticas em desenvolvimento, as organizações podem estar melhor preparadas para antecipar mudanças, adaptar estratégias e contribuir de forma mais eficiente para o enfrentamento de desafios sociais, políticos e regulatórios. Entre em contato e conheça os benefícios do monitoramento de dados governamentais para a sua operação!

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