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  • Foto do escritorAnna Carolina Romano

Crise da dengue no Brasil influencia aumento nas iniciativas legislativas

Título do artigo ao lado de uma imagem em 3D de um mosquito aedes aegypti

A situação da epidemia de dengue no Brasil atingiu um novo ápice em 2024, com números alarmantes que evidenciam uma crise de saúde pública sem precedentes. Segundo dados do Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde, até o dia 25 de abril deste ano, o país já contabilizava 3.921.271 casos prováveis da doença, resultando em 1.888 mortes confirmadas e 2.218 óbitos em investigação. 

Comparativamente, o ano de 2015, até então considerado o mais crítico da última década, registrou 1.696.340 casos e 986 óbitos. Em contraste, o ano de 2023, marcado pela maior letalidade, contou com 1.094 mortes.


Este ano, além do aumento expressivo nos casos e mortes, um dado chama particularmente a atenção: o aumento de 1400% no número de projetos de lei ordinária e requerimentos no Congresso Nacional, todos destinados ao combate à epidemia de dengue no Brasil.


Esse dado, levantado pela plataforma de monitoramento de dados governamentais, Inteligov, representa um aumento de 15 vezes em relação ao ano anterior, evidenciando a urgência e a dimensão da crise enfrentada.

Imagem representando o aumento das publicações referentes ao enfrentamento da epidemia da dengue
Publicações de medidas contra a dengue aumentaram 15 vezes em relação ao ano passado

A disseminação da dengue também revela um novo padrão preocupante: a doença está se espalhando mais rapidamente e alcançando regiões antes não afetadas. Em 2024, os picos da epidemia começaram já em fevereiro, antecipando o período usual de abril. Além disso, houve uma tendência de interiorização da doença, afetando não apenas as regiões metropolitanas, mas também cidades menores com menor acesso a serviços de saúde, o que agrava a situação.


Profissionais da área afirmam que a dificuldade em acessar serviços de saúde pode explicar em parte o alto número de mortes registradas. No entanto, a crise atual revela falhas sistemáticas no enfrentamento à doença ao longo das décadas. A dengue, apesar de considerada "natural" em algumas regiões, é, na verdade, resultado de erros recorrentes nas políticas de prevenção e controle.


Apesar do cenário sombrio, há pontos de esperança. O Brasil tornou-se o primeiro país a disponibilizar uma vacina contra a dengue no sistema público de saúde, e está próximo de tornar-se produtor desse imunizante. No entanto, medidas mais eficazes de prevenção e controle são urgentemente necessárias para conter o avanço da epidemia.


Além dos impactos diretos na saúde pública, a epidemia de dengue também tem repercussões econômicas significativas. Estima-se que a atual emergência sanitária possa causar uma queda de até R$7 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do país, com custos relacionados ao tratamento que podem chegar a R$5,2 bilhões.


Diante desse cenário, é essencial uma ação coordenada entre governo, sociedade civil e instituições de saúde para enfrentar essa crise de saúde pública que afeta milhões de brasileiros.


Além de evidenciar a urgência e a dimensão da crise ocasionada pela dengue, o dado revelado pela Inteligov ressalta a importância de ferramentas como essa para profissionais que precisam mapear as políticas públicas relacionadas à saúde no Brasil.


Com a capacidade de monitorar, não apenas o aumento expressivo no número de projetos de lei destinados ao combate da dengue, mas também outras mudanças nos âmbitos legislativo e regulatório que impactam áreas críticas como setor farmacêutico, de saneamento e normas e fiscalização de agências reguladoras, a Inteligov oferece uma diversificada fonte de informação e insights para tomadores de decisão.


Ao acompanhar de perto as políticas em desenvolvimento, as organizações podem estar melhor preparadas para antecipar mudanças, adaptar estratégias e contribuir de forma mais eficiente para o enfrentamento de desafios sociais, políticos e regulatórios.



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