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ViolĂȘncia nas escolas: bullying, cyberbullying e o papel das polĂ­ticas pĂșblicas

  • Foto do escritor: Anna Carolina Romano
    Anna Carolina Romano
  • 18 de set. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 25 de set. de 2025

ViolĂȘncia nas escolas: um problema que exige atenção


Nesta semana, a ComissĂŁo de Educação do Senado Federal promoveu um debate sobre violĂȘncia nas escolas, reforçando a urgĂȘncia de enfrentar um problema que ameaça nĂŁo sĂł o ambiente educacional, mas tambĂ©m a saĂșde mental de milhĂ”es de alunos e professores.


Segundo a OCDE, o Brasil Ă© o paĂ­s onde os professores mais relatam sofrer agressĂ”es verbais ou intimidaçÔes em sala de aula: 12,5% dizem passar por isso pelo menos uma vez por semana. AlĂ©m disso, nos Ășltimos 12 anos, 52 pessoas perderam a vida em ataques a escolas brasileiras, um nĂșmero que nĂŁo pode ser ignorado.


Esses dados mostram que o tema vai alĂ©m da segurança fĂ­sica. Ele envolve tambĂ©m a proteção emocional e psicolĂłgica dos estudantes, em um contexto em que o bullying e o cyberbullying crescem e desafiam escolas, famĂ­lias e gestores pĂșblicos.


ViolĂȘncia nas escolas: da agressĂŁo fĂ­sica ao cyberbullying


Durante muito tempo, a violĂȘncia nas escolas foi associada principalmente a brigas no pĂĄtio, agressĂ”es fĂ­sicas e ameaças contra professores. Esses episĂłdios ainda existem, mas a realidade atual Ă© mais complexa.


Hoje, a violĂȘncia escolar inclui tambĂ©m a violĂȘncia simbĂłlica, expressa em humilhaçÔes, preconceitos e discriminaçÔes. E, com a internet e as redes sociais, o problema ultrapassou os muros da escola: o cyberbullying expĂ”e as vĂ­timas publicamente e pode gerar consequĂȘncias profundas e duradouras.


A Pesquisa Nacional de SaĂșde Escolar (PeNSE), do IBGE, mostrou que em 2009 cerca de 30% dos adolescentes relataram ter sofrido bullying. Em 2019, esse Ă­ndice jĂĄ passava de 40%. AlĂ©m disso, mais de 11% dos estudantes disseram ter deixado de ir Ă  escola por se sentirem inseguros.


Esses nĂșmeros revelam que a violĂȘncia escolar Ă© multifacetada, combina agressĂ”es fĂ­sicas, simbĂłlicas e digitais e tem impacto direto na aprendizagem e na saĂșde mental dos jovens.


Menina jovem, de expressão séria e olhar cansado, sentada em frente a uma estante de livros, segura um celular e encara a tela com tristeza, sugerindo preocupação ou impacto emocional.
Brasil Ă© um dos paĂ­ses com maior Ă­ndice de violĂȘncia nas escolas, segundo dados da OCDE.

ViolĂȘncia nas escolas: o que diz a legislação brasileira


O Brasil avançou de forma significativa na criação de leis para enfrentar a violĂȘncia nas escolas. Entre os principais marcos, estĂŁo:


  • Lei 13.185/2015 (Lei do Bullying): criou o Programa de Combate Ă  Intimidação SistemĂĄtica, conceituou o bullying e determinou medidas de conscientização e prevenção em escolas e clubes.

  • Lei 13.277/2016: instituiu o Dia Nacional de Combate ao Bullying e Ă  ViolĂȘncia nas Escolas, celebrado em 7 de abril, em memĂłria do massacre de Realengo.

  • Lei 13.663/2018: alterou a LDB para obrigar escolas a incluir em seus projetos pedagĂłgicos açÔes para promover a cultura de paz e prevenir a intimidação sistemĂĄtica.

  • Lei 14.643/2023: criou o Sistema Nacional de Acompanhamento e Combate Ă  ViolĂȘncia nas Escolas (SNAVE), articulando UniĂŁo, estados e municĂ­pios no monitoramento dos casos.

  • Lei 14.811/2024: criminalizou explicitamente o bullying e o cyberbullying. As penas podem chegar a atĂ© 4 anos de prisĂŁo para quem praticar a intimidação sistemĂĄtica em ambiente digital.


Esses marcos mostram que o Brasil não apenas reconhece a gravidade do problema, mas busca enfrentå-lo com uma legislação cada vez mais abrangente.


ViolĂȘncia nas escolas: programas e açÔes do Executivo


As leis federais ganharam desdobramentos em polĂ­ticas pĂșblicas implementadas pelo Executivo. O MinistĂ©rio da Educação (MEC) criou o Programa Escola que Protege, com foco em formação de professores, apoio psicossocial e promoção de prĂĄticas de convivĂȘncia.


Outro destaque Ă© a Semana Nacional da ConvivĂȘncia Escolar, realizada em abril, que mobiliza redes de ensino em torno de atividades voltadas Ă  cultura de paz.

Além disso, foi criado um Grupo de Trabalho Técnico contra bullying e discriminação, responsåvel por propor novas políticas e avaliar estratégias de enfrentamento.


Na årea da segurança, o Ministério da Justiça lançou o Programa Nacional de Segurança nas Escolas, destinando recursos para estados e municípios investirem em rondas escolares, monitoramento de redes sociais e protocolos de prevenção a ataques.


Essas iniciativas mostram que a violĂȘncia nas escolas nĂŁo pode ser tratada apenas como um problema educacional, mas como uma questĂŁo que exige integração entre saĂșde, segurança e direitos humanos.


ViolĂȘncia nas escolas: projetos em tramitação no Congresso


O tema segue no centro das discussÔes legislativas. Entre os projetos em destaque estão:


  • PL 5671/2023: aprovado na CĂąmara e em anĂĄlise no Senado, cria diretrizes nacionais de segurança escolar, incluindo cĂąmeras, botĂ”es de pĂąnico e treinamento para professores.

  • PL 2036/2023: em tramitação no Senado, institui a PolĂ­tica Nacional de Segurança Escolar, agrava penas para crimes cometidos em escolas e tipifica massacres como crimes hediondos.

  • Outros projetos: discutem protocolos de acolhimento para vĂ­timas de bullying, criação de canais anĂŽnimos de denĂșncia e atendimento psicolĂłgico permanente nas escolas.


Essas propostas complementam o arcabouço jå existente e buscam dar respostas mais ågeis e estruturadas ao problema.


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ViolĂȘncia nas escolas: açÔes estaduais e municipais



No Amazonas, foi aprovada lei que obriga a notificação de casos de bullying e criou a Semana Estadual de Prevenção contra a ViolĂȘncia nas Escolas. Outro projeto em tramitação propĂ”e o Disque Bullying, um canal gratuito de denĂșncias 24 horas.


Em São Paulo, o governo estadual sancionou em 2024 uma lei para criar um protocolo de combate ao bullying nas escolas. Jå na capital, projetos em tramitação tratam de programas de prevenção e de atendimento psicológico permanente aos estudantes.


Esses exemplos mostram que, em diferentes nĂ­veis da federação, o tema estĂĄ cada vez mais presente na agenda pĂșblica.


Como a Inteligov pode apoiar o monitoramento das polĂ­ticas pĂșblicas de educação


O enfrentamento da violĂȘncia nas escolas depende de um conjunto de fatores: legislação eficiente, polĂ­ticas pĂșblicas bem estruturadas e monitoramento constante de sua implementação.


E Ă© nesse ponto que a Inteligov pode ajudar. Nossa plataforma permite acompanhar, em tempo real, os projetos de lei, as normas jĂĄ sancionadas e as discussĂ”es em andamento nos trĂȘs nĂ­veis de governo.


Com recursos de monitoramento legislativo e anĂĄlise de polĂ­ticas pĂșblicas, a Inteligov apoia gestores, organizaçÔes e profissionais da educação a identificar tendĂȘncias, avaliar riscos e antecipar mudanças que impactam diretamente o ambiente escolar.


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