top of page

Tendências em Relações Governamentais: o que 2025 nos ensinou?

  • Foto do escritor: Anna Carolina Romano
    Anna Carolina Romano
  • há 7 horas
  • 5 min de leitura
Card do Entrelinhas com o título “O papel invisível das instituições – Como sustentam a democracia sem que a gente perceba?”, acompanhado de imagem de colunas de edifício representando instituições públicas.

O que 2025 nos ensinou sobre Relações Governamentais: tendências em prática


Em 2025, o ambiente político e regulatório brasileiro não foi apenas desafiador — ele foi uma arena de testes para estratégias, metodologias e modos de atuação que, até então, eram apenas previstos como tendência.


No início do ano passado, a Inteligov publicou o Guia de Tendências em Relações Governamentais 2025, apontando uma série de vetores que deveriam orientar a atuação institucional nos próximos meses.


Agora, com o ano encerrado, podemos analisar como essas leituras se concretizaram na prática e quais lições elas deixam para profissionais que vivem no centro dessas dinâmicas.


Este artigo revisita as principais tendências apontadas no guia à luz dos acontecimentos de 2025, explicando:

  • o que de fato aconteceu em cada eixo estratégico,

  • quais foram os efeitos concretos nas relações governamentais,

  • e por que essas lições são essenciais para quem atua nesse campo em 2026.


Inteligência artificial e o nascimento do RIG Ops


No guia de tendências, um dos pilares previstos foi o fortalecimento do que chamamos de RIG Ops — a adoção de práticas operacionais que unem tecnologia, automação e inteligência artificial para tornar as relações governamentais mais ágeis, assertivas e estruturadas.


Em 2025, isso deixou de ser apenas um conceito. Ferramentas de automação passaram a integrar o cotidiano de diversas organizações, tanto privadas quanto públicas. Segundo levantamento da McKinsey, 72% das empresas globais já utilizavam algum nível de IA em 2024, número que cresceu ao longo de 2025 e impulsionou a adoção da tecnologia em atividades de monitoramento, análise de riscos e organização de agendas estratégicas.


No setor público, a própria Câmara dos Deputados implementou diretrizes formais para o uso de IA, estabelecendo parâmetros de governança, avaliação de riscos e supervisão humana sobre sistemas inteligentes utilizados na Casa. Essa formalização indica que a tecnologia deixou de ser um recurso exclusivo de bastidores e se tornou parte da base operacional da atuação institucional.


O que isso nos ensina é simples: a tecnologia não substitui o trabalho humano, mas estrutura e potencializa a capacidade de atuação. Profissionais e organizações que já incorporaram IA no processo de trabalho em 2025 tiveram mais previsibilidade, visão integrada de cenários e tempo para focar em negociações de maior impacto.


Instabilidades econômicas e geopolíticas: o novo normal


Outro eixo destacado no guia foi a necessidade de compreender que a instabilidade econômica e as tensões geopolíticas deixaram de ser exceções — tornaram-se variáveis permanentes no ambiente regulatório.


Várias situações ao longo de 2025 ilustram isso. Por exemplo, tensões comerciais entre Brasil e parceiros internacionais impactaram diretamente decisões estratégicas de setores exportadores e demandas de política pública.


Independentemente das motivações por trás dessas disputas, a reação institucional foi imediata, exigindo coordenação entre cadeias produtivas, governo e representantes setoriais.


Esse contexto mostrou que limitações a níveis domésticos de atuação — por exemplo, olharmos apenas para pautas internas de governo — são insuficientes. A interdependência global entre mercados, regras comerciais e decisões regulatórias exige análise integrada que alinhe realidades locais com fatores externos.


Essa lição reforça uma ideia que já vinha ganhando força: a atuação em Relações Governamentais não pode mais ser pensada isoladamente em termos nacionais. Cenários internacionais moldaram, em 2025, decisões internas e estratégias de atores institucionais de maneira direta.


Grupo de profissionais reunidos em ambiente corporativo organizando ideias em post-its em um quadro, representando planejamento estratégico, definição de prioridades e trabalho colaborativo.
2025 reforçou a importância da organização estratégica, da definição clara de prioridades e do trabalho colaborativo

Reforma tributária: foco e prioridade estratégica


A reforma tributária foi, sem dúvida, uma das pautas mais relevantes de 2025. A aprovação da Lei Complementar 214 e os debates subsequentes envolvendo a regulamentação do novo modelo tributário colocaram na agenda pública debates que envolvem desde a estrutura de impostos sobre consumo até a interação fiscal entre União, estados e municípios.


Esse processo legislativo mostrou, na prática, por que a definição de prioridades é uma competência estratégica na atuação em Relações Governamentais. Diante de um volume elevado de temas em debate, nem sempre é possível manter atenção e recursos iguais para todas as frentes.


Organizações que conseguiram mapear com precisão os pontos de maior impacto para seus interesses trabalharam com mais profundidade, elaboraram argumentos técnicos consistentes e se posicionaram de forma mais eficaz.


A reforma tributária deixou uma lição clara: não é apenas participar de debates, mas saber em qual debate participar com mais profundidade que determina capacidade de influência.


Compliance e governança: reputação em jogo


Em 2025, a agenda de compliance ganhou ainda mais relevância, não apenas como requisito jurídico, mas como fator de credibilidade institucional.


Casos como o escândalo no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que revelou fraudes acumuladas ao longo de anos, expuseram falhas em mecanismos de controle e governança. Segundo dados da Association of Certified Fraud Examiners, mais de 40% das fraudes corporativas são identificadas por meio de denúncias internas, o que aponta para a importância de canais de controle efetivos e cultura organizacional robusta.


Esse episódio reforçou que tecnologia e ferramentas de monitoramento são importantes, mas não suficientes sem uma cultura forte de integridade e mecanismos de governança claros. Para profissionais de Relações Governamentais, isso significa que compliance passou a ser parte integrante da estratégia institucional — não apenas para evitar risco jurídico, mas para preservar reputação e confiança.


Banner da plataforma Inteligov
Clique aqui e conheça as nossas soluções

Informação, desinformação e responsabilidade analítica


O ambiente informacional vive transformações que têm impacto direto na atuação regulatória e política. Em 2025, decisões de plataformas digitais em relação à moderação de conteúdo, como o fim da checagem profissional de fatos em redes sociais, complicaram ainda mais o cenário de circulação de informações confiáveis.


Esse movimento coincidiu com debates legislativos intensos, decisões judiciais sensíveis e uma disputa crescente por narrativas públicas. Nessas circunstâncias, profissionais de Relações Governamentais passaram a assumir um papel ainda mais ativo como curadores de informação, capazes de validar fontes, contextualizar dados e identificar riscos informacionais antes que impactem estratégias institucionais.


Com o aumento da desinformação em ambientes digitais, a capacidade de cruzar dados, verificar fontes e oferecer análises críticas tornou-se ferramenta de defesa de credibilidade — e isso foi especialmente evidente ao longo de 2025.


Relações humanas: o insubstituível


Apesar de todas as transformações tecnológicas e da crescente adoção de sistemas de inteligência e automação, um ponto se repetiu ao longo de 2025: relações humanas continuam no centro da atuação em Relações Governamentais.


Mesmo com algoritmos e plataformas de análise, as negociações avançaram principalmente onde havia confiança construída ao longo do tempo, histórico de diálogo e capacidade de escuta ativa.


A tecnologia organizou, acelerou e ampliou alcance. Os dados qualificaram o argumento. Mas as relações humanas continuaram sendo a variável que influencia, sustenta e abre portas em negociações complexas.


Acesse o Guia de Tendências em Relações Governamentais 2025 para rever o que marcou a área no ano anterior. O guia de 2026 vem aí!


Banner com a foto da autora do artigo ao lado de sua mini bio profissional

bottom of page