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  • Como fazer advocacy no terceiro setor

    A prática de advocacy no terceiro setor ainda é algo que gera muitas dúvidas entre os profissionais que atuam na área das Relações Institucionais e Governamentais (RIG). Isso porque existem algumas peculiaridades na hora de estruturar essas atividades. Pensando em desmistificar o assunto, a Comunidade Inteligov promoveu um evento especial. Para falar sobre RIG no terceiro setor, Raphael Caldas, fundador e CEO da Inteligov, recebeu Marcello Fragano Baird, mestre e doutor em ciência política, professor de Relações Internacionais na ESPM e Administração Pública na FGV, e coordenador de advocacy na ACT Promoção da Saúde. Confira os principais destaques do encontro no artigo que preparamos! Iniciando a carreira em advocacy No início da conversa, o professor conta sobre como surgiu o seu interesse por ciência política e destacou o trabalho que realizou com assessor na Secretaria Municipal de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo. De acordo com ele, embora a Secretaria Municipal de Relações Internacionais funcionasse mais como uma “Secretaria meio”, ou como um apoio que conectava as Secretarias de Cultura e Estrutura com as Secretarias correlatas em outras cidades do mundo com as quais tinham parceria, era muito bom participar ativamente das iniciativas públicas. “Foi ali que eu comecei a tomar gosto pelo setor público e por políticas públicas. Era muito bom participar da construção de projetos que pudessem impactar positivamente a vida das pessoas.”, explica Baird. Após esse período na prefeitura, que durou três anos, Baird iniciou o seu mestrado em ciência política depois de descobrir que gostaria de pesquisar o lobby e a influência política. “A contribuição brasileira nas ciências políticas é muito rica no que diz respeito ao entendimento do Poder Legislativo, votações, presidencialismo de coalizão, mas que acaba ficando restrito a esses aspectos, deixando de abordar com detalhes os grupos de interesse que influenciam no funcionamento das políticas públicas.”, detalha. Na sequência do término de seu mestrado, deu início ao doutorado, também voltado para o estudo das políticas públicas, e foi aí que teve a sua primeira experiência direta com o advocacy, trabalhando como coordenador de advocacy no Instituto Sou da Paz, organização não governamental (ONG) que atua no combate à violência e ficou conhecido por fazer campanha para reforçar a legislação do controle de armas no Brasil. No início, Baird esteve envolvido diretamente na área de pesquisa, para colher dados que pudessem influenciar o setor público. Só algum tempo depois começou a atuar mais ligado ao Congresso, e entendeu como se praticava o lobby. Sua carreira também conta com a participação em outras ONGs, como a Endeavor, como gerente de mobilização, onde teve a chance de estruturar a área de advocacy. Além do seu trabalho em ONGs, Baird dá aulas desde 2012. Há seis anos como professor na ESPM, leciona para o curso de Relações Internacionais com ênfase em instituições políticas e relações governamentais, explicando a visão de quem atua no presidencialismo de coalizão. Já na FGV, dá aulas no MBA de Relações Governamentais, detalhando o processo legislativo, e também na grade de Administração Pública da graduação e do mestrado, sobre advocacy. Este foi o primeiro semestre em que a disciplina foi inserida na grande, indicando como o conhecimento sobre a área está sendo cada vez mais necessário. O que é o terceiro setor? Na categorização clássica temos o primeiro setor como sendo o setor público, ou seja o Estado, os governos, os Três Poderes. Já o segundo setor é o mercado, o setor privado, que visa ao lucro. O terceiro setor não é o mercado nem o Estado, mas é privado e não visa o lucro, explica Baird. O terceiro setor pode servir como um apoio ao Estado, onde os governos não conseguem alcançar, visando um auxílio social econômico. Como exemplo podemos pensar nas fundações, instituições, sindicatos, ONGs, em que todas são entidades de direito privado que visam a contribuição para o bem público. Quando falamos especificamente de ONGs, as pessoas pensam em algo pequeno, de bairro, que distribui cesta básica, aponta o professor. “Certamente diversas ONGs possuem parcerias com o governo para prestar esse serviço que o Estado não consegue desempenhar. Mas um número menor de ONGs está focada em fazer advocacy.”, destaca Baird. Ele explica que é uma fatia praticamente irrisória, se comparada a totalidade das ONGs, pois para se fazer esse trabalho de influenciar o setor público é necessário uma estrutura diferente. Nesse sentido, Caldas questiona se as associações também podem ser vistas como empresas do terceiro setor. Baird então afirma que sim, e explica que se essa empresa não está visando o lucro propriamente dito, mas a defesa de interesses de uma classe, é uma empresa de terceiro setor. Porém, também há diferenças entre essas empresas, pois as associações, por exemplo, não visam o lucro necessariamente, mas visam o desenvolvimento econômico de um setor específico, por meio da interlocução entre o setor privado e o governo. Enquanto isso, outras organizações podem ter interesses difusos e não conectados entre si. Na prática, são vários tipos de empresas do terceiro setor a depender dos objetivos que desejam alcançar. O que é preciso para fazer advocacy no terceiro setor? Por se tratarem de empresas sem fins lucrativos, Raphael questiona quais são as dificuldades e as peculiaridades da atuação de empresas do terceiro setor e de profissionais de RIG que atuam nessa área. Marcello destaca como uma das principais dificuldades a obtenção de recursos, em que muitas vezes as organizações dependem de financiamento. Também explica que ONGs que defendem interesses difusos, como é o caso de temas de saúde e educação, precisam adequar as suas estratégias, pois podem atuar de maneira mais ampla ou mais restrita. “Enquanto profissional de advocacy, eu estou em tudo que é área. Eu atuo com estratégias no Executivo e Legislativo, vou atrás de dados que me faltam para apresentar no Congresso, puxo a comunicação para fazer campanhas ou tuitaço quando preciso influenciar um parlamentar, dou sugestões para o jurídico, ou seja o trabalho é fluído e abrangente.”, conta Baird. Ter afinidade com comunicação, gestão de projetos, sistema político, gostar de atuar de maneira bastante diversa: esses são alguns dos requisitos para se atuar em empresas do terceiro setor. O trabalho vai desde o estudo do setor até a preparação de relatórios para apresentar no Congresso. De acordo com Baird, é uma atuação bastante diversa. Já sobre o financiamento das campanhas de advocacy, Caldas pergunta sobre situações delicadas, em que são questionadas as situações sobre os recursos que a ONG recebeu. Nesse sentido, Baird explica que essas empresas precisam atuar de maneira mais transparente possível, informando de onde provêm os recursos, e cita que geralmente as grandes organizações recebem recursos de fundações internacionais. “É preciso ter ciência de que uma organização pode receber financiamento de um bilionário que tem interesses na pauta que vai ser defendida. Por isso é necessário separar as atividades que a ONG vai desempenhar do que é de interesse do financiador, muitas vezes utilizando até um intermediário para auxiliar nesse processo, garantindo que não haja nenhuma interferência.”, destaca Baird. Os pilares para se atuar por uma causa Fazer pesquisas, investir em comunicação estratégica, educar e engajar a população: tudo isso faz parte de uma estratégia de advocacy. De acordo com Marcello, o lobby é mais uma dessas práticas, caracterizada pela defesa de interesses perante decisores públicos. Caldas questiona quais seriam as práticas essenciais para se fazer advocacy no terceiro setor. Para Marcello, o advocacy pode ser dividido em quatro pilares: Produção de conhecimento: quem quer influenciar políticas públicas precisa gerar conhecimento e se basear em dados concretos e científicos. Comunicação: comunicar para a população e para os políticos, no sentido de educar e engajar. Mobilização: atuar na construção de uma rede. Não é possível influenciar nada sozinho. É necessário chamar a atenção para o seu tema e construir coalizões para ganhar força na sua causa. Lobby: a atuação direta na defesa de interesses junto aos atores públicos, por exemplo em audiências públicas e reuniões, onde você será notado pelo poder público. Já no fim da conversa, o CEO da Inteligov quer saber a opinião do convidado sobre a situação do presidencialismo de coalizão no Brasil. Marcello demonstra preocupação, e explica que os presidentes no país apresentam dificuldades em construir coalizões para governar. Um dos pontos positivos, porém, é a reforma política de 2017, que propôs a diminuição de partidos políticos, que na prática reduz o número de atores envolvidos no processo de coalizão. No entanto, o Legislativo está ganhando força frente ao Executivo no Brasil, com o uso das emendas, por exemplo, como ocorreu com o orçamento secreto. “A qualidade das políticas públicas é prejudicada, ao mesmo tempo em que é retirada a possibilidade de ação do Executivo, resultando numa possível crise institucional.”, aponta Baird. Para ter acesso ao evento completo, clique aqui e assista ao vídeo. Aproveite e faça a sua inscrição gratuita na Comunidade Inteligov e não perca mais nenhum evento exclusivo! Nós esperamos por você!

  • Políticas de saúde no Brasil: desafios e oportunidades para profissionais de RIG

    A área da saúde no Brasil enfrenta constantes desafios, desde o acesso aos serviços até a garantia da qualidade e efetividade dos cuidados. Nesse contexto, as políticas de saúde desempenham um papel fundamental na promoção do bem-estar da população e na garantia de um sistema de saúde mais eficiente. Os profissionais de Relações Institucionais e Governamentais (RIG) são responsáveis por atuar estrategicamente na articulação e defesa dessas políticas, trabalhando como intermediários entre os diversos atores envolvidos no processo decisório. Neste artigo, discutiremos a importância da participação social na construção das políticas de saúde e como os profissionais de RIG podem contribuir para esse processo. As políticas públicas de saúde no Brasil É por meio da legislação brasileira que se estabelecem as bases para a implementação das políticas públicas de saúde. Nesse sentido, é possível destacar a Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080/90), que define os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). O Brasil possui um sistema de saúde público universal, o SUS, que busca garantir o acesso equitativo e integral aos serviços de saúde para toda a população. No entanto, apesar dos avanços, ainda são enfrentadas dificuldades como a falta de financiamento adequado, a desigualdade regional e a baixa efetividade de algumas políticas. De acordo com o texto da Lei 8.080, o SUS tem como objetivos principais: a identificação e divulgação dos fatores condicionantes e determinantes de saúde; a formulação de política de saúde destinada a promover as condições indispensáveis ao pleno exercício da saúde; e a assistência às pessoas por intermédio de ações de promoção, proteção e recuperação de saúde. No sentido de atualizar o dever e compromisso social do SUS, vale destacar o projeto de lei de Responsabilidade Sanitária (PL 1.746/2019), aprovado recentemente pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). A proposta visa delimitar com maior detalhamento a responsabilidade da União, de estados e municípios sobre a área da saúde. Essas propostas exemplificam a importância da participação social e abrem espaço para a atuação dos profissionais de RIG na defesa dos interesses de todos os stakeholders envolvidos. A atuação dos profissionais de RIG na saúde Os profissionais de RIG são responsáveis por estabelecer canais de comunicação entre as instituições governamentais e os diversos atores da sociedade, como organizações do terceiro setor, associações médicas, indústria farmacêutica e outros grupos de interesse. Eles desempenham um papel fundamental na elaboração de propostas, na articulação política e na defesa de interesses relacionados à saúde. Esses profissionais podem atuar na formulação de estratégias de advocacy, influenciando a tomada de decisões por meio de argumentações embasadas em evidências científicas e dados epidemiológicos. Além disso, podem atuar no estabelecimento de parcerias entre os setores público e privado, visando a implementação de ações conjuntas para o fortalecimento do sistema de saúde. Dentre os temas atuais que demandam a atuação dos profissionais de RIG na área da saúde, destaca-se a vacinação em massa contra a COVID-19. Durante a pandemia, esses profissionais foram determinantes na articulação entre o governo, os laboratórios e a população, garantindo o acesso rápido e seguro às vacinas. Outro tema relevante é a regulação de medicamentos e insumos. Nesse contexto, a atuação desses profissionais pode contribuir para a agilidade e a segurança na aprovação de novos medicamentos e tecnologias, bem como para a garantia da qualidade dos produtos disponíveis no mercado. Além de contribuir para a inovação tecnológica, pesquisas e regulamentação, os profissionais de RIG também estão diretamente envolvidos no enfrentamento das dificuldades do setor, como a falta de financiamento adequado, a má distribuição de recursos e a fragmentação das ações de saúde. Nesse sentido, a participação social é essencial. É fundamental que os profissionais de RIG estimulem a participação ativa da sociedade na construção das políticas de saúde, seja por meio de consultas públicas, audiências, fóruns ou outras formas de engajamento. Participação social nas políticas de saúde A escuta ativa dos cidadãos e a incorporação de suas demandas e experiências contribuem para a formulação de políticas mais adequadas e alinhadas às necessidades da população. Diversos exemplos demonstram como a participação social influenciou positivamente as políticas de saúde no Brasil. A criação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), que é referência mundial em vacinação, é um exemplo emblemático. Esse programa foi construído com a participação ativa de especialistas, sociedade civil e profissionais de saúde, resultando em uma política de sucesso reconhecida internacionalmente. Outro exemplo é a Política Nacional de Saúde Mental, que teve um amplo processo de discussão e participação social antes de sua implementação. A participação de usuários, familiares, profissionais de saúde e demais stakeholders contribuiu para a construção de uma política mais humanizada, que prioriza a reinserção social e a valorização dos direitos humanos. Ainda como uma ferramenta da participação social na construção das políticas públicas de saúde, vale mencionar o patient advocacy. O patient advocacy, ou defesa do paciente, refere-se a um conjunto de ações e atividades realizadas por indivíduos ou organizações com o objetivo de promover e proteger os direitos dos pacientes no sistema de saúde. Os defensores do paciente atuam como intermediários entre os pacientes e os prestadores de cuidados de saúde, ajudando-os a entender seus direitos e a acessar os cuidados de que precisam. Eles também trabalham para garantir que os pacientes sejam tratados com dignidade, respeito e em conformidade com os padrões éticos e legais. Além disso, os defensores também desempenham um papel na educação dos pacientes, capacitando-os para tomar decisões informadas sobre sua saúde, cuidados médicos, informações sobre medicamentos e até orientações sobre o funcionamento de planos de saúde. Monitoramento de políticas de saúde Para auxiliar a tomada de decisão sobre as políticas de saúde, existem recursos e ferramentas disponíveis. Dentre eles, destacam-se os sites e portais governamentais, como o Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, que disponibilizam informações e canais de comunicação para a sociedade. Além disso, é fundamental estar atento a organizações da sociedade civil, associações de pacientes e entidades representativas da área da saúde, que podem fornecer informações relevantes e atuar como parceiros estratégicos na defesa de políticas públicas de qualidade. Com a Inteligov, plataforma de monitoramento governamental, é possível realizar o acompanhamento de todas as movimentações e decisões tomadas na área da saúde, desde as Casas Legislativas até órgãos reguladores. Peça uma demonstração e veja como as nossas soluções podem te ajudar a transformar as políticas de saúde no Brasil.

  • Acompanhamento e Avaliação de Políticas Públicas

    No atual cenário político, é essencial que as políticas públicas sejam desenvolvidas e implementadas de maneira eficiente, visando atender às demandas sociais. Nesse contexto, o acompanhamento e avaliação de políticas públicas desempenham um papel fundamental. Neste artigo, abordaremos a importância desse trabalho, quem são os profissionais envolvidos e como eles chegam aos resultados obtidos. O papel dos profissionais no acompanhamento e avaliação de políticas públicas Os profissionais responsáveis pelo acompanhamento e avaliação dos projetos têm a tarefa de monitorar e analisar o desempenho das ações governamentais. São especialistas que entendem como acontecem todas as fases do ciclo de políticas públicas. Eles podem atuar em diversas áreas, como relações governamentais, institucionais e public affairs. Assim, são determinantes para a promoção da transparência, efetividade e accountability das políticas implementadas. Além disso, também são responsáveis por coletar, organizar e analisar dados relevantes para mensurar os resultados das políticas públicas em diferentes áreas, como saúde, educação, segurança pública, meio ambiente, entre outras. Eles utilizam uma série de técnicas e métodos, incluindo pesquisas, indicadores, análise estatística e consulta pública, para obter informações precisas e embasadas sobre o desempenho das políticas. Existem vários atores envolvidos no acompanhamento e medição das políticas públicas no Brasil, dependendo da política específica em questão e do nível de governo responsável por sua implementação. Alguns dos principais atores incluem: Órgãos governamentais: Os órgãos governamentais responsáveis pela implementação das políticas públicas também são geralmente responsáveis por monitorar e avaliar seus resultados. Isso pode incluir ministérios, secretarias estaduais e municipais, autarquias, empresas públicas e outros órgãos públicos. Órgãos de controle: Os órgãos de controle, como os tribunais de contas, têm a função de fiscalizar a execução das políticas públicas e garantir o cumprimento das leis e normas. Eles também podem realizar auditorias e outras formas de avaliação para verificar se os recursos foram utilizados de forma adequada. Organizações da sociedade civil: Organizações da sociedade civil, como ONGs e associações comunitárias, muitas vezes têm um papel importante no monitoramento e avaliação das políticas públicas. Elas podem fornecer feedback e informações sobre a implementação das políticas, bem como realizar pesquisas e estudos para avaliar seus resultados. Think Tanks: Os think tanks também podem fornecer dados bastante contextualizados sobre os projetos, por meio de pesquisas empíricas e estudos de impacto. Universidades e centros de pesquisa podem conduzir estudos independentes para avaliar os resultados das políticas públicas e fornecer informações valiosas para os decisores políticos. Como acompanhar e avaliar as políticas públicas O acompanhamento e avaliação de políticas públicas são processos contínuos que envolvem diferentes etapas. Vamos destacar algumas das principais fases desse trabalho: Definição de indicadores: Os profissionais envolvidos na criação dos projetos estabelecem indicadores que permitem medir o impacto das políticas públicas. Esses indicadores devem ser claros, mensuráveis e relacionados aos objetivos estabelecidos para cada política. Coleta de dados: As informações devem ser baseadas por meio de diversas fontes, como pesquisas de opinião, levantamentos estatísticos, relatórios governamentais e registros administrativos. Essa coleta de dados pode ser feita de forma quantitativa e qualitativa, buscando captar tanto aspectos quantificáveis quanto percepções e impactos subjetivos. Análise de dados: Após a coleta, os dados são analisados para identificar tendências, padrões e resultados das políticas públicas. Isso envolve a aplicação de técnicas estatísticas e metodologias específicas para obter uma compreensão abrangente do desempenho dos projetos. Interpretação e comunicação dos resultados: Com base na análise dos dados, os profissionais interpretam os resultados e produzem relatórios e pareceres técnicos que comunicam de forma clara e acessível as conclusões e recomendações sobre as políticas públicas. Essa etapa é fundamental para subsidiar a tomada de decisão dos stakeholders e auxiliar na melhoria das políticas em vigor. A Importância do acompanhamento e avaliação de políticas públicas Ao compreender o impacto das políticas públicas e suas consequências para a sociedade, os especialistas envolvidos no processo podem melhor orientar suas estratégias e ações, promovendo um diálogo mais efetivo e uma participação mais informada nas decisões governamentais. O acompanhamento e avaliação de políticas públicas são fundamentais por diversas razões, e podem trazer benefícios como: Transparência e prestação de contas: Essas atividades contribuem para a transparência das ações governamentais, permitindo que a sociedade tenha acesso a informações sobre o desempenho e os resultados das políticas públicas. Isso promove a prestação de contas dos gestores públicos perante a sociedade, fortalecendo a democracia e a participação cidadã. Identificação de problemas e oportunidades: Esse processo permite identificar eventuais problemas ou falhas nas ações governamentais, bem como identificar oportunidades de melhoria. Ao identificar áreas de baixo desempenho, é possível redirecionar recursos e ajustar estratégias para alcançar os objetivos propostos. Aprimoramento das políticas públicas: Com base nos resultados obtidos, os profissionais podem fornecer recomendações para o aprimoramento das políticas públicas. Isso contribui para a efetividade e eficiência das ações governamentais, permitindo que os recursos sejam alocados de maneira mais adequada e que os resultados sejam maximizados. Apoio à tomada de decisão: Os resultados dos relatórios e pareceres técnicos fornecem subsídios concretos e embasados para a tomada de decisão dos gestores governamentais. Ao contar com informações confiáveis sobre o desempenho das políticas, é possível tomar decisões mais acertadas, evitando o desperdício de recursos e direcionando esforços para as áreas que demandam maior atenção. Nesse sentido, é fundamental reconhecer a importância do trabalho desses profissionais, especialmente para aqueles que atuam em RIG. Portanto, investir neste trabalho é um passo crucial para garantir a efetividade, transparência e prestação de contas no âmbito governamental, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e participativa. Pensando nisso, a Inteligov desenvolveu o monitoramento inteligente, ferramenta essencial para a coleta de dados governamentais. A facilidade em encontrar informações e gerar relatórios por meio da plataforma pode transformar a maneira como o acompanhamento e avaliação de políticas públicas é realizado. Confira as nossas soluções!

  • O papel de RIG estratégico nas empresas

    Você já se perguntou qual é o papel das relações institucionais e governamentais (RIG) na estratégia das empresas? Consegue diferenciar RIG e Relgov? Sabe quais são as habilidades fundamentais para ser um profissional de RIG excepcional? Para responder a essas perguntas, a Comunidade Inteligov contou com a participação de um dos grandes especialistas da área. Em um evento exclusivo para os membros da Comunidade, Antonio Totaro Neto, sócio fundador da TORO RIG, compartilhou um pouco da sua experiência e apresentou insights valiosos sobre o mercado de RIG. O evento trata-se de mais uma ação promovida pela Comunidade Inteligov, com o intuito de levar conhecimento para quem já atua ou está formando a sua carreira em RIG. Para isso, a equipe de marketing e comunicação organiza diversos encontros a fim de promover debates e networking entre os participantes. Dessa vez, o responsável por conduzir a entrevista foi Raphael Caldas, fundador e CEO da Inteligov. Logo no início da conversa, Caldas pediu para que Totaro contasse sobre a sua trajetória, passando pela construção de sua carreira em RIG e dando mais detalhes sobre a atuação de seu escritório. O especialista conta que é advogado e que iniciou a sua carreira em um grande escritório de advocacia. Em seguida, viu a sua atuação ser direcionada para empresas, na época a Colgate-Palmolive, e se deparou com um momento de alta demanda na prática concorrencial, percebendo outras questões importantes a serem trabalhadas, além das questões jurídicas. Pouco tempo depois, passou a fazer parte de uma empresa do setor de tabaco, onde firmou a sua percepção de que as relações para se conduzir alguns tipos de negócios, precisavam ganhar intensidade. Depois dessa experiência, passou a gerenciar uma parte da equipe jurídica da Ambev e na sequência foi direcionado para a área de relações institucionais e governamentais. Este foi o momento em que se sentiu satisfeito, pois passou a colocar em prática a expertise que já vinha desenvolvendo, agora em um time com o foco total em RIG. Com o passar dos anos, Totaro foi convidado a atuar internacionalmente, pela Ambev, para fazer RIG. Quando resolveu voltar ao Brasil, em meados de 2019, voltou a sua atenção para um mercado carente dessas práticas, onde poucos profissionais tinham a preocupação de gerar valor por meio das relações institucionais e governamentais. Assim nasceu a TORO RIG, de uma ideia de criar algo novo, e que internalizasse a cultura das práticas de RIG no mercado corporativo brasileiro. As diferenças entre RIG e Relgov Definir a atuação de uma área especializada em RIG e de Relgov, muitas vezes pode ser confuso para quem ainda não está familiarizado com essas atividades, de acordo com os especialistas. Neste momento da conversa, Caldas questiona Totaro sobre como é possível diferenciar essas duas práticas. Na visão de Totaro, as relações governamentais, ou Relgov, serão sempre definidas pela interação com o governo. Já o RIG, ele entende como uma atividade mais ampla, onde vários entes estão envolvidos nessas relações. Para exemplificar, Totaro conta como organiza os objetivos da TORO RIG: “Hoje temos quatro objetivos principais: a relação governamental propriamente dita; a questão reputacional, onde estão inseridos os conceitos ESG; as relações institucionais, como por exemplo com as associações; e a comunicação estratégica.”, explica Totaro. Caldas pontua que essa atuação mais estratégica tem despertado a atenção dos profissionais de RIG para as práticas ESG. Com isso, cita os riscos do greenwashing e da perda de reputação por empresas que não estão alinhadas com os fatores ambientais, sociais e de governança. Porém, a preocupação com o ESG é algo que já vem sendo observado por grandes empresas há muitos anos, só que antes tinha outras nomenclaturas, afirma Totaro. No entanto, o especialista destaca que, atualmente, o não investimento em boas práticas e a dificuldade em se definir metas pode impactar negativamente não só a reputação, mas a operação das organizações. O que é o RIG estratégico “As relações institucionais e governamentais precisam gerar valor”. É dessa forma que Totaro começa a definir o RIG estratégico. Ele explica que o RIG estratégico vai muito além de resolver problemas da empresa ou de defender os direitos da instituição, como seria o caso de um departamento jurídico. Ou seja, é a capacidade de minimizar os riscos de forma proativa em benefício da comunidade. “O RIG estratégico não está interessado em gerar valor para apenas uma das partes, mas na conciliação de todas as questões envolvidas, para se chegar a um denominador comum.”, afirma Totaro. O sócio fundador da TORO RIG lembra que a observação do que é possível ser feito para alcançar os objetivos da empresa e da comunidade não é subjetiva, ela é norteada pela lei. Logo, o que é subjetivo, ou o que a lei não estipula, deve ser estudado pelo RIG estratégico, para que as decisões tomadas acerca do tema sejam as menos arriscadas. Quando questionado por Caldas se também era possível desempenhar o RIG estratégico em empresas do terceiro setor, Totaro é categórico em afirmar que quando há a possibilidade de atuar na defesa de interesses, seja no sindicato, governo ou organização privada, há espaço para gerar valor, ou construir um legado, por meio do RIG estratégico. As qualidades para um profissional de RIG Também durante o bate-papo, pensando em orientar quem está iniciando na área, o CEO da Inteligov pediu para que Totaro indicasse quais são as habilidades fundamentais para um profissional excepcional em RIG. Para caracterizar este profissional, Totaro contextualiza o mercado corporativo, onde as demandas são praticamente todas urgentes e o ciclo de trabalho intenso. Logo, qualidades como proatividade, dinamismo e agilidade são fundamentais. Quanto às hard skills, o especialista acredita que são premissas, ou seja, todos que estão na área devem dominar essas competências. Nesse sentido, são as soft skills que vão se sobressair, destacando profissionais com uma escuta atenta, observadores e bons estrategistas, por exemplo. Por fim, Totaro cita a capacidade de imersão no tema em que o profissional está inserido: “O cliente, ou o empregador, não gosta de perceber que você não sabe do assunto, portanto é preciso estudar para se inteirar do setor.”, pontua. Antes de finalizar o evento, Caldas ainda abriu um espaço para perguntas feitas pelos membros da Comunidade. Foram abordadas questões sobre a mudança da relação entre os Poderes Executivo e Legislativo, dicas para fortalecer relacionamentos com stakeholders e uso de inteligência artificial nas estratégias de RIG. Para não perder a chance de participar dos próximos eventos promovidos pela Comunidade Inteligov, faça agora a sua inscrição gratuita!

  • Mercado de combustíveis no Brasil: regulamentação e desafios do setor

    O mercado de combustíveis desempenha um papel fundamental na economia brasileira, além de servir como base para o funcionamento de diversos setores. O Brasil é um país de dimensões continentais e possui uma vasta frota de veículos, além de uma indústria em constante crescimento. Nesse contexto, a demanda por combustíveis é alta, o que evidencia a importância desse mercado. Para se ter uma ideia da amplitude deste ramo da atividade no país, o setor de óleo e gás chegou a representar 15% do PIB industrial, em 2022. Cerca de 8% provenientes do mercado de derivados de petróleo e biocombustíveis, e 7% da extração de petróleo e gás natural. Compostos que formam os combustíveis e são responsáveis pela geração de energia, também servem de matéria-prima para outros produtos que afetam diretamente toda a sociedade. Nesse sentido, vale destacar que o petróleo e seus derivados impactam muito mais do que os meios de locomoção. Pela complexidade que envolve o processo de obtenção destes componentes químicos, a estrutura do mercado de combustíveis no Brasil é composta por diversos agentes, desde as refinarias até os postos de gasolina. As refinarias são responsáveis por transformar o petróleo bruto em derivados de petróleo, como gasolina, diesel e querosene. Esses produtos são então distribuídos por meio de uma extensa rede de distribuidoras, que atuam no transporte e armazenamento dos combustíveis. Por fim, os postos de gasolina são os pontos de venda ao consumidor final, onde os motoristas abastecem seus veículos. Regulamentação dos combustíveis no Brasil Embora existam regulamentações governamentais, o mercado de combustíveis também possui mecanismos internos de autorregulação que visam garantir a qualidade dos produtos, a concorrência justa e a transparência nas operações. Essa responsabilidade fica a critério da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão regulador do Governo Federal que estabelece normas e fiscaliza o cumprimento das regulamentações. A agência reguladora foi implantada no fim da década de 1990, pouco tempo depois da Lei 9.478 - mais conhecida como a “Lei do Petróleo” - entrar em vigor. Para compreender toda a sua vasta atuação, vale destacar que a ANP é responsável por atuar na regulação da exploração e produção de petróleo e gás, com a promoção de estudos para ampliar o conhecimento sobre as reservas brasileiras, a coleta e armazenamento de dados e a promoção de licitações e contratos de concessão em nome da União. Também é responsável por monitorar a movimentação de produtos líquidos, como ocorre com transportes dutoviário e aquaviário, bem como o armazenamento de produtos e diferentes tipos de serviços de carga e descarga. Além disso, cabe à ANP autorizar empresas a construir, operar e ampliar refinarias de processamento e de armazenamento de gás natural e de produtos líquidos. Esse tipo de controle, ou regulamentação, também é impulsionado pela necessidade de manter a confiança dos consumidores e a reputação do setor. Os consumidores buscam combustíveis de qualidade e preços justos, e qualquer irregularidade ou prática antiética por parte dos agentes do mercado pode prejudicar a imagem do setor como um todo. Combustíveis fósseis e biocombustíveis No Brasil, os principais tipos de combustíveis utilizados são gasolina, diesel, etanol e biodiesel. A gasolina é um combustível derivado do petróleo e é amplamente utilizado em veículos automotores. Já o diesel é utilizado principalmente em veículos pesados, como caminhões e ônibus, sendo também derivado do petróleo. O etanol, por sua vez, é um biocombustível produzido a partir da cana-de-açúcar e é comumente utilizado em veículos flexfuel, oferecendo uma opção mais sustentável em relação aos combustíveis fósseis. Por fim, o biodiesel é um combustível renovável produzido a partir de fontes vegetais ou animais, como óleo de soja e gordura animal, e é misturado ao diesel mineral. Mas afinal, qual a diferença entre eles? A principal diferença entre combustíveis fósseis e biocombustíveis está na sua origem e composição. Enquanto os combustíveis fósseis são provenientes de fontes não renováveis e liberam grandes quantidades de gases de efeito estufa, os biocombustíveis são derivados de fontes renováveis e têm potencial para reduzir as emissões de carbono. Os principais combustíveis fósseis são o petróleo, o gás natural e o carvão mineral. Esses combustíveis contêm carbono e hidrogênio em sua composição química, além de outros elementos, como enxofre. A queima de combustíveis fósseis libera dióxido de carbono (CO2) e outros gases poluentes, contribuindo para o aquecimento global e a poluição do ar. Já os biocombustíveis são obtidos a partir de fontes renováveis, como plantas, resíduos orgânicos e biomassa. Esses produtos emitem menos dióxido de carbono quando são queimados em comparação com os combustíveis fósseis, uma vez que a liberação de CO2 é compensada pela absorção de carbono pelas plantas durante seu crescimento. Uma das principais vantagens dos biocombustíveis é que eles podem contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa, ajudando na mitigação das mudanças climáticas. Além disso, eles podem ser produzidos localmente, reduzindo a dependência de importações de combustíveis fósseis e promovendo a segurança energética. No entanto, a produção em larga escala de biocombustíveis também pode gerar impactos ambientais e sociais, como o desmatamento e a competição com a produção de alimentos. Por isso, é de extrema importância encontrar meios de equilibrar a demanda e produção destes produtos. Precificação dos combustíveis A formação dos preços dos combustíveis é um processo complexo e pode envolver uma combinação de diferentes fatores. As flutuações no preço da gasolina, por exemplo, podem gerar impactos econômicos significativos, afetando os consumidores, as indústrias e a economia como um todo. Alguns dos principais fatores que afetam os preços dos combustíveis são: Preço do petróleo: O petróleo é a principal matéria-prima para a produção de combustíveis, e seu preço no mercado internacional exerce uma grande influência nos preços finais. Flutuações na oferta e demanda global, tensões geopolíticas, desastres naturais e decisões de políticas energéticas podem afetar o preço do petróleo. Câmbio: Como grande parte dos combustíveis é importada, as variações nas taxas de câmbio têm impacto direto nos preços. Se a moeda local desvalorizar em relação à moeda estrangeira, os custos de importação podem aumentar, elevando os preços dos combustíveis. Impostos: Os impostos representam uma parcela significativa do preço dos combustíveis em muitos países. Impostos específicos, como os impostos sobre combustíveis, podem variar de acordo com a política tributária adotada pelo governo, e esses valores podem ser repassados ao consumidor final. Margens de lucro: As margens de lucro dos agentes envolvidos na cadeia de distribuição dos combustíveis, como refinarias, distribuidoras e postos de gasolina, também impactam os preços. Essas margens são determinadas pela concorrência, custos operacionais, logística e estrutura do mercado, e podem variar de acordo com a região. Além desses fatores, políticas governamentais, subsídios, regulações e até mesmo eventos climáticos também podem influenciar os preços dos combustíveis. Cada país tem sua própria dinâmica e conjuntura que afetam o mercado de combustíveis, resultando em variações nos preços ao longo do tempo. Para acompanhar todas as decisões governamentais que impactam diretamente o mercado dos combustíveis, fale com a nossa equipe de especialistas. A Inteligov monitora todas as movimentações do Poder Legislativo e Executivo, além de te informar sobre as atualizações dos órgãos reguladores com eficiência. Agende já uma demonstração e conheça as nossas soluções.

  • A Importância da Geopolítica nas Relações Governamentais

    Vivemos em um mundo interconectado, onde diversas variáveis podem impactar as relações econômicas, culturais e políticas entre diferentes países. Portanto, compreender as dinâmicas geopolíticas é essencial para os profissionais de relações institucionais e governamentais (RIG). Assim, poderão moldar estratégias, identificar oportunidades e vencer os desafios do cenário internacional. Neste artigo, vamos explorar a relação entre a geopolítica e as relações governamentais, o cenário geopolítico no Brasil e o papel das organizações internacionais. A interação entre a geopolítica e as relações governamentais A geopolítica é um campo de estudo que analisa a interação entre o espaço geográfico e os assuntos políticos, econômicos e sociais. Ela desempenha um papel crucial na condução das relações governamentais ao redor do mundo. Em primeiro lugar, a geopolítica fornece um quadro estratégico para os governos entenderem a distribuição de poder e recursos globais. Esses estudos servem para examinar fatores como localização geográfica, fronteiras, recursos naturais e características físicas de um país ou região. A partir desses elementos, é possível determinar a posição e a influência de um país na arena internacional. Isso faz com que seja mais fácil moldar suas políticas externas e suas relações com outros governos. Além disso, a geopolítica desempenha um papel fundamental na determinação das alianças e parcerias entre os governos. Ou seja, os interesses estratégicos e geoeconômicos podem aproximar ou distanciar nações. Por exemplo, países que compartilham fronteiras ou têm recursos complementares podem estabelecer acordos de cooperação para promover o desenvolvimento mútuo. Então, na prática, a compreensão da geopolítica é crucial para os profissionais de RIG, pois ela permite identificar e antecipar as motivações e interesses dos diferentes atores geopolíticos. Ao considerar a geografia, os recursos e as estratégias das nações, é possível estabelecer parcerias, mitigar conflitos e promover os interesses nacionais. Já há algumas décadas, a maior complexidade do cenário político global e o crescimento dos mercados emergentes, impulsionados pelo processo de globalização, passaram a afetar diretamente companhias do mundo todo. Por isso, as organizações se viram obrigadas a fortalecer as relações estabelecidas com diferentes governos, a fim de solucionar questões legais e regulatórias. E, uma das maneiras mais eficazes de atuar na mitigação desses riscos é por meio das relações governamentais. No entanto, para que sejam bem sucedidos, é fundamental que os profissionais de relações governamentais estabeleçam interações com entidades que também atuem fora das esferas governamentais. Dessa forma, é possível ampliar a defesa de interesses para diferentes stakeholders, cujas decisões podem impactar diferentes mercados, nacionais e internacionais. Para além de órgãos do governo, a atenção desses profissionais deve estar focada em fornecedores, sindicatos, imprensa, clientes e associações. Como exemplo, um dos temas recentes mais discutidos por profissionais de relações governamentais, e que pode causar um impacto importante para o Brasil no cenário global, é a regulamentação do lobby no país. Isso porque a regulamentação da atividade de lobby é um dos pré-requisitos para que o Brasil passe a integrar a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), uma das principais organizações internacionais do mundo. O papel das organizações internacionais na geopolítica As organizações internacionais são estruturas criadas por meio de acordos e tratados entre países para promover a cooperação, facilitar o diálogo e abordar questões de interesse comum. Por meio de reuniões com representantes de cada país membro, as organizações internacionais podem atuar no monitoramento de resolução de conflitos, cumprimento de acordos, além de contribuírem para o desenvolvimento mundial. Existem várias organizações e grupos de países que se reúnem para discutir os cenários globais e colaborar em questões de interesse mútuo. Alguns dos principais grupos são: Organização das Nações Unidas (ONU): A ONU é a organização internacional mais ampla e abrangente, composta por 193 países membros. Através da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança, a ONU aborda uma ampla gama de questões globais, como paz e segurança, direitos humanos, desenvolvimento sustentável e cooperação internacional. União Europeia (UE): A UE é uma união política e econômica composta por 27 países membros, localizados principalmente na Europa. Os líderes da UE se reúnem regularmente para discutir questões relacionadas à governança da União Europeia, políticas comuns e relações externas. G20: O Grupo dos Vinte é composto pelas principais economias desenvolvidas e emergentes do mundo. Além dos membros do G7, inclui também a União Europeia e países como Brasil, China, Índia, Rússia, África do Sul e outros. O G20 se reúne anualmente para discutir questões econômicas, financeiras e de desenvolvimento global. BRICS: O grupo BRICS é composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Essas economias emergentes se reúnem regularmente para discutir questões econômicas, políticas e de cooperação entre si. Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): A OCDE é uma organização composta por 38 países membros, que visa promover políticas econômicas e sociais para melhorar o bem-estar dos países membros e da comunidade global. A OCDE realiza reuniões regulares para discutir uma ampla gama de questões relacionadas ao desenvolvimento econômico e social. G7: O Grupo dos Sete é composto pelos sete países mais industrializados do mundo: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão. Os líderes dessas nações se reúnem anualmente para discutir questões econômicas, políticas e de segurança global. Esses são apenas alguns exemplos dos grupos de países que se reúnem para discutir cenários globais. Existem também outras organizações regionais, grupos de cooperação econômica e políticas, bem como fóruns multilaterais que tratam de questões específicas, como comércio internacional, segurança, direitos humanos e objetivos sustentáveis para diversos países. O cenário geopolítico no Brasil O Brasil, como uma das maiores economias e potências regionais, e terceiro maior produtor de alimentos do mundo, está imerso em um cenário geopolítico dinâmico e desafiador. Sua posição geográfica estratégica na América do Sul, com extensas fronteiras e vastos recursos naturais, influencia diretamente suas relações governamentais e suas políticas externas. No contexto regional, o Brasil busca consolidar sua liderança sul-americana, promovendo a integração e a cooperação com os países vizinhos. A diplomacia brasileira tem buscado fortalecer organizações regionais, como o Mercosul e a União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), para impulsionar o desenvolvimento econômico e a estabilidade política na região. Ademais, o governo brasileiro também tem buscado expandir seus horizontes para além das fronteiras regionais, buscando uma presença global mais significativa. Isso revela uma agenda internacional focada em estreitar laços com parceiros estratégicos. Somente nos primeiros 100 dias de governo, o presidente da República se reuniu com lideranças dos Estados Unidos, França, Alemanha, Espanha, Portugal, Japão e Ucrânia, demonstrando um esforço em ampliar sua influência no cenário internacional. Os desafios também fazem parte do cenário geopolítico brasileiro. Questões como a preservação da Amazônia, a gestão dos recursos naturais, as disputas territoriais e as tensões políticas internas afetam a posição e a imagem do Brasil no âmbito internacional. Lidar com esses desafios requer uma análise cuidadosa da geopolítica e uma abordagem estratégica para garantir os interesses nacionais e promover relações governamentais eficazes. Para que você esteja sempre por dentro das decisões governamentais que afetam as relações internacionais, a Inteligov monitora todas as movimentações políticas que você precisa acompanhar. Entre em contato com os nossos especialistas e veja quais soluções nós oferecemos para o seu negócio!

  • O que é uma CPI?

    As CPIs, ou Comissões Parlamentares de Inquérito, são um instrumento de investigação utilizado pelo Poder Legislativo para apurar fatos que possam afetar a vida pública. Ou seja, além de analisar projetos e criar novas leis, o Legislativo tem a responsabilidade de fiscalizar e investigar a administração pública, inclusive as ações do Poder Executivo. Esses instrumentos de fiscalização e controle do poder público são essenciais para manter a ordem e organização dos processos democráticos. Isso porque as CPIs podem resultar em mudanças na legislação e na punição de agentes públicos que não respeitaram as normas constitucionais estabelecidas. Essas comissões são formadas por parlamentares da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal para cumprirem um objetivo definido, além de atuarem com prazo de validade. Geralmente esses grupos são formados assim que alguma irregularidade é observada no âmbito político, como atos de corrupção. A abertura das CPIs Para que uma CPI seja instaurada, é necessário fazer um pedido de abertura, ou requerimento. Esse pedido precisa ser assinado por um terço dos membros da Casa Legislativa correspondente. No caso de não haver assinaturas suficientes, o autor pode tentar aprovar a CPI por meio de apreciação do Plenário. O pedido de abertura de uma CPI precisa conter a descrição clara do fato a ser investigado, ou fato determinado, e um prazo para que se findem as atividades. É comum que as CPIs tenham duração de 120 dias, podendo ser prorrogadas por até 60 dias a mais da data combinada. Geralmente, as investigações são conduzidas por um presidente, um relator e membros designados pelos partidos com representação na Casa. Os membros costumam ser indicados pelos próprios partidos políticos, sempre respeitando o critério de proporcionalidade. Então, quanto mais representantes ocuparem cadeiras na Casa, mais membros o partido terá na comissão. Existem também as Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito (CPMIs), que são formadas por deputados e senadores. Além disso, as Assembleias Legislativas e as Câmaras de Vereadores também podem instaurar CPIs, quando se provar um tema com a devida relevância. Como funcionam as CPIs? O funcionamento das CPIs é regido por normas próprias, que estabelecem prazos e procedimentos para a realização das investigações. No Brasil, as CPIs são regulamentadas pela Constituição Federal e também pelo regimento interno das Casas Legislativas. De acordo com a Constituição, as CPIs têm poder de investigação próprio das autoridades judiciais, podendo realizar diligências, ouvir pessoas e requisitar informações e documentos de órgãos públicos e particulares. As CPIs também podem determinar a condução coercitiva de testemunhas que se recusarem a prestar depoimento, além de poderem solicitar a quebra de sigilo bancário, fiscal e até mesmo o telefônico. No entanto, todas as diligências, audiências externas, quebras de sigilo, convocações e depoimentos devem ser aprovadas pelo Plenário da CPI para terem andamento. Assim que os trabalhos da comissão são finalizados, a comissão deve apresentar um relatório de conclusão. Este documento pode se tratar de uma apresentação de novo projeto ou de uma investigação encaminhada ao Ministério Público, órgão responsável por promover a responsabilização civil ou criminal dos indiciados. Quais os possíveis resultados de uma CPI? O resultado de uma CPI pode variar dependendo das suas conclusões e recomendações finais. Em geral, as CPIs podem resultar em diversas consequências, tais como: Recomendações legislativas: A CPI pode recomendar a criação de leis ou a modificação de normas já existentes para prevenir a ocorrência de fatos semelhantes no futuro. Ações judiciais: A CPI pode encaminhar suas conclusões ao Ministério Público ou a outras autoridades judiciais para que sejam tomadas as medidas legais cabíveis. Essas medidas podem incluir a abertura de processos criminais, cíveis ou administrativos contra pessoas ou empresas envolvidas nos fatos investigados. Afastamento de autoridades: Se as investigações apontarem irregularidades ou crimes cometidos por autoridades públicas, a CPI pode recomendar o afastamento dessas pessoas de seus cargos, com base na Constituição e nas leis do país. Indenizações: Em casos de prejuízos financeiros causados a pessoas ou empresas, a CPI pode recomendar o pagamento de indenizações aos responsáveis. É importante ressaltar que, embora as CPIs tenham poderes para investigar e apurar fatos, suas conclusões e recomendações não têm caráter vinculante. Isso quer dizer que as autoridades e instituições competentes podem ou não acatar as recomendações da CPI, dependendo da análise das provas e da interpretação das leis aplicáveis. No entanto, as conclusões de uma CPI podem ter grande impacto na opinião pública e na reputação dos envolvidos nos fatos investigados. Algumas CPIs acabam ganhando maior repercussão no país por se tratarem de irregularidades, crimes e fatos que comprometem a administração pública e a sociedade de forma geral. Alguns exemplos são: CPI do Banestado (2003): A CPI do Banestado foi instalada em 2003 para investigar as remessas ilegais de dinheiro para o exterior por meio do Banco do Estado do Paraná (Banestado). A investigação apurou que cerca de US$30 bilhões foram enviados de forma irregular, envolvendo diversas empresas e pessoas físicas. CPI da Petrobras (2014): A CPI da Petrobras foi instalada para investigar o esquema de corrupção envolvendo a empresa estatal de petróleo. A investigação, conhecida como Operação Lava Jato, revelou a existência de um esquema bilionário de pagamento de propina envolvendo a Petrobras, empresas contratadas e políticos. CPI da Covid-19 (2021): A CPI da Covid-19, exemplo mais recente, foi criada para investigar as ações e omissões do governo federal e de estados e municípios durante a pandemia do novo coronavírus. A CPI apura a falta de insumos, atrasos na compra de vacinas e a condução da política de saúde durante a pandemia. Essas são apenas algumas das CPIs que tiveram grande repercussão no Brasil. Recentemente, uma comissão foi formada para investigar os atos de vandalismo cometidos contra os Três Poderes, conhecida como a CPI do 08 de janeiro. Acompanhar as investigações conduzidas pelas CPIs é importante para o cenário governamental, pois os fatos apresentados podem afetar a popularidade de parlamentares e impactar pautas de diversos grupos de interesse. A Inteligov torna o processo de monitoramento de dados governamentais muito mais fácil e rápido. Se você precisa acompanhar quais são os assuntos que movimentam a política, fale já com a nossa equipe. Agende uma demonstração e descubra os benefícios da Inteligov para as suas estratégias!

  • Governança, segurança jurídica e tecnologia: como estão relacionadas?

    A tecnologia assumiu um papel fundamental dentro dos conceitos ESG. Se focarmos apenas na esfera ambiental, a tecnologia vem sendo utilizada de diversas formas para promover a sustentabilidade nas empresas. Não raro, vemos organizações adotarem algum sistema de energia renovável, como solar ou eólica, ou implementarem mecanismos para a redução de emissão de carbono. Monitorar o uso de recursos naturais, como água e energia, e identificar oportunidades de redução de desperdício também parecem ser atividades que a tecnologia tem facilitado para as empresas preocupadas em fortalecer uma política sustentável. Já no aspecto social, a cada dia surgem inovações capazes de contribuir para a promoção da diversidade e inclusão nos times empresariais. Ferramentas de recrutamento e seleção baseadas em inteligência artificial, por exemplo, desde que mitigados seus próprios biases, podem minimizar efeitos como preconceitos e discriminações na seleção de candidatos, aumentando a representatividade das minorias. Muitas vezes, a capacitação de colaboradores também fica a cargo de recursos tecnológicos, que por meio de treinamentos online e ferramentas digitais promovem o desenvolvimento de habilidades e competências. É importante compreender também os benefícios da utilização de tecnologia para a governança corporativa, mas antes disso vamos entender alguns dos problemas mais frequentes enfrentados por empresas que não têm ações de governança bem definidas. Em primeiro lugar vale destacar a falta de transparência. Ao mesmo tempo em que a transparência é um dos princípios da governança corporativa, a falta de processos transparentes é um dos maiores causadores de impactos negativos em organizações de todo o país. Isso significa que empresas que querem crescer de maneira sustentável devem basear as suas estratégias apoiadas em um planejamento que contenha todas as informações sobre a real condição do negócio. No entanto, não se trata apenas de levantar indicadores financeiros e de risco. Nesse sentido, é necessário mapear todos os outros potenciais cenários de crises, como a falta de investimentos em áreas essenciais ao empreendimento, controle das normas de regulação e a realização de auditorias independentes. Qualquer deslize que seja ocasionado pela deficiência na transparência de informações, pode ser compreendido como uma brecha de governança corporativa. Mesmo com processos transparentes, outra prática comum que pode levar empresas a enfrentarem graves problemas é a falta de fiscalização. Frequentemente os executivos estão focados em determinar padrões, regras e uma cultura interna que estejam de acordo com o que foi estabelecido pelas boas práticas de governança. Porém, caso não aconteça o monitoramento do cumprimento desses processos, de nada adianta o rigor em implementar essas medidas. Um dos casos que melhor pode ilustrar os danos causados pela falta de transparência e de fiscalização é o rompimento da barragem de Brumadinho, em 2015. A tragédia ocorrida no município mineiro caracteriza os efeitos máximos do não cumprimento de normas de compliance e de leis que disciplinam não apenas as relações entre empresas e governo, mas todos os atores-chave sociais e econômicos. Vale salientar que o não cumprimento das normas reguladoras, mesmo que por motivos muito diferentes - do desconhecimento das leis vigentes à própria corrupção -, resultarão em consequências legais e, muito provavelmente, os desdobramentos serão suficientes para abalar a reputação da empresa por muitos anos. Isso, no melhor dos cenários. Mesmo que consigam se manter em funcionamento, muitos negócios não conseguem retomar a confiança de parceiros e investidores. O mais comum, é que acabem enfrentando desafios constantes para reaver alguma segurança jurídica, perdendo valor do negócio e prejudicando a sua relevância no mercado. Então, depois de verificar os problemas mais frequentes de uma governança corporativa ineficaz, podemos ter algumas ideias sobre como a tecnologia pode ser importante para a transparência e eficiência das operações. Todas as empresas contam hoje com tecnologias como blockchain, inteligência artificial e big data. A questão é utilizá-las para aumentar a transparência das suas operações, garantindo que as informações relevantes sejam compartilhadas de forma segura e confiável com os stakeholders envolvidos. Além disso, a tecnologia pode ser utilizada para monitorar e fiscalizar o cumprimento das políticas implementadas. A automação de processos, por exemplo, pode reduzir a possibilidade de erros humanos e assegurar que os procedimentos internos estejam em conformidade com as normas e regulamentos aplicáveis. A detecção de outliers pode permitir a rápida identificação de condutas em descompasso com políticas de integridade. Por fim, empresas comprometidas em adotar boas práticas de governança, aliadas à tecnologia, podem se beneficiar ao protegerem os direitos e interesses de todos os envolvidos nas operações, aumentando a confiança de investidores e reduzindo o risco de litígios e conflitos.

  • O que é a economia criativa?

    A economia criativa é um conceito que vem ganhando cada vez mais espaço no mundo empresarial. Ela é baseada no uso da criatividade e da propriedade intelectual como recursos para gerar valor econômico, social e cultural. Essa economia é formada por setores que vão desde a produção artística e cultural até a tecnologia e design, e é capaz de gerar empregos, fomentar a inovação e contribuir para o desenvolvimento socioeconômico. O termo "economia criativa" surgiu no Reino Unido, em 1997, com o objetivo de descrever as atividades que combinam criatividade, cultura e tecnologia. Desde então, o conceito vem sendo adotado em diferentes partes do mundo, como no Brasil, que vem investindo cada vez mais nesse setor. De acordo com a pesquisa da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) sobre o assunto, de 2017, a economia criativa movimenta R$171,5 bilhões, além de ter gerado mais de 837 mil empregos formais no Brasil naquele ano. Isso mostra a sua importância como uma nova forma de desenvolvimento econômico e social. Entre os principais setores da economia criativa, podemos citar: Patrimônio natural e cultural: inclui atividades relacionadas à preservação, promoção e divulgação do patrimônio histórico, artístico e cultural, como museus, paisagens culturais e patrimônios naturais. Espetáculos e celebrações: envolve a realização de eventos artísticos, festivais, feiras e espetáculos de artes cênicas, entre outros. Artes visuais e plásticas: atividades que envolvem a produção de obras de arte, artesanatos, pinturas, fotografia e esculturas. Livros e produções: setor que engloba a produção de livros, jornais e revistas, além de espaços como bibliotecas. Setor audiovisual e mídias interativas: envolve a produção de cinema e vídeo, televisão, rádio, internet e videogames. Design e serviços criativos: abrange atividades de design gráfico, design de moda, paisagismo e serviços de arquitetura. Um dos exemplos de sucesso da economia criativa no Brasil é a empresa Osklen, fundada em 1989 pelo empresário Oskar Metsavaht. Com uma proposta de moda sustentável e inovadora, a marca se destaca no mercado nacional e internacional, tendo lojas em diversos países. A empresa emprega cerca de 600 pessoas diretamente e outras 1.200 de forma indireta, gerando impacto econômico em toda a cadeia produtiva. Alguns outros cases de sucesso da economia criativa incluem o Nubank, que criou uma conta digital sem tarifas; a marca de moda sustentável Insecta Shoes; e o aplicativo de transporte 99. Esses exemplos mostram a diversidade de setores que podem ser incluídos na economia criativa e como ela pode ser aplicada em diferentes contextos. Os desafios da economia criativa A economia criativa é vista como um dos principais motores do empreendedorismo. Por ser um tema que abrange a diversos setores, o conceito pode ser definido como um processo que faz uso da criatividade para que as pessoas explorem valor econômico em atividades que ainda não tiveram todo o seu potencial trabalhado. Diferente da economia tradicional, a economia criativa tem foco na geração de valor simbólico, cultural e emocional, além do valor financeiro. Ela é orientada pela criatividade e inovação, e não apenas pela produção em larga escala e pela maximização de lucros. E, por mais que a economia criativa sirva para contribuir para o desenvolvimento econômico e social de várias maneiras, esse tipo de economia enfrenta muitos desafios no Brasil e no mundo. O principal deles é a falta de financiamento e de políticas públicas adequadas para incentivar e apoiar o setor. Uma das principais razões é a falta de compreensão por parte das instituições financeiras e governamentais sobre o potencial econômico e social da economia criativa. Por muito tempo, acreditava-se que a economia criativa não era uma área importante o suficiente para receber investimentos significativos. Além disso, a própria natureza da economia criativa pode torná-la difícil de entender e avaliar. A criatividade é uma área que muitas vezes é vista como subjetiva, o que dificulta sua mensuração e análise de retorno sobre investimento. Outro obstáculo é a falta de coordenação e colaboração entre as diversas agências governamentais que lidam com o tema. Muitas vezes, a economia criativa é tratada de forma isolada e não recebe a devida atenção em políticas públicas mais amplas, que poderiam incentivar e estimular a inovação em diversos setores. Por fim, há também a necessidade de proteção dos direitos autorais e da propriedade intelectual, que muitas vezes são negligenciados em relação aos produtos e serviços criativos. Sem essa proteção, muitos empreendedores criativos não têm o incentivo adequado para investir em novas ideias, o que prejudica o desenvolvimento do setor. No entanto, apesar desses desafios, o setor da economia criativa tem sido cada vez mais reconhecido e valorizado como um motor importante para o desenvolvimento econômico e social em todo o mundo. Com o aumento da demanda por produtos e serviços criativos, espera-se que haja mais investimentos e políticas públicas que apoiem o setor e estimulem a sua expansão. As tendências da economia criativa Com o advento da tecnologia e o surgimento de novos modelos de negócios, a economia criativa vem se consolidando como uma das principais forças da economia mundial. Por isso, é fundamental acompanhar as tendências e perspectivas para o futuro do setor, destacando novos modelos de negócios e inovações. Um dos principais impulsionadores da economia criativa é a inovação tecnológica. Com o avanço das tecnologias digitais, novas oportunidades de negócios surgem a cada dia, oferecendo novas possibilidades para empreendedores e profissionais do setor. Por exemplo, plataformas de streaming de música, como o Spotify, se tornaram um dos principais canais de distribuição para artistas independentes, permitindo que eles alcancem um público global sem a necessidade de um grande investimento em marketing. Outra tendência que vem se destacando na economia criativa é a colaboração. Cada vez mais, empresas e profissionais do setor estão buscando parcerias e colaborações para desenvolver projetos inovadores. Essa tendência é impulsionada pela necessidade de se criar soluções mais integradas e multidisciplinares, que envolvam diferentes áreas da economia criativa. Por exemplo, uma marca de moda pode se associar a um artista visual para desenvolver uma campanha publicitária mais criativa e impactante. Além disso, os novos modelos de negócios estão transformando a forma como a economia criativa opera. Startups e empresas de tecnologia estão desenvolvendo soluções inovadoras para gerenciar direitos autorais, gerar receitas a partir de conteúdo digital e monetizar a criatividade. Para aproveitar essas tendências e impulsionar ainda mais a economia criativa, é importante que os profissionais de relações governamentais atuem de forma proativa. Eles podem ajudar na viabilização de políticas públicas que incentivem o desenvolvimento do setor, incluindo programas de financiamento, incentivos fiscais e regulamentações que protejam os direitos autorais e a propriedade intelectual. Além disso, esses profissionais podem atuar como pontes entre o setor criativo e o governo, buscando soluções para os desafios enfrentados pela economia criativa. É possível trabalhar em parceria com o setor para desenvolver propostas que atendam às necessidades de cada segmento e promovam o crescimento econômico e social. Para acompanhar o que já é discutido sobre a economia criativa, é necessário monitorar os projetos e propostas de forma estratégica. Assim, os profissionais envolvidos nos temas de interesse poderão apresentar dados e soluções interessantes para os stakeholders envolvidos no desenvolvimento do setor. Entre em contato com os nossos especialistas e veja como a Inteligov pode te atualizar sobre todas as proposições que afetam o setor da economia criativa. Dessa forma, sua organização poderá medir os riscos e as oportunidades de atuação!

  • O uso das redes sociais nas estratégias de advocacy

    A construção de políticas públicas eficazes não é uma tarefa fácil. É necessário considerar uma variedade de fatores e ouvir diferentes pontos de vista. Por isso, é fundamental dar voz aos diversos atores sociais envolvidos no processo, incluindo grupos de interesse e cidadãos comuns. Um dos principais objetivos do advocacy é jogar luz em grupos fundamentais e mobilizá-los para a defesa de seus interesses. Para isso, ter uma estratégia bem fundamentada é essencial para que as ações tenham o maior impacto possível. Nesse sentido, as redes sociais surgem como uma ferramenta poderosa. Elas permitem que as pessoas se conectem, compartilhem informações e ideias e se organizem para serem ouvidas. Com um bom planejamento e execução de estratégias por meio das redes sociais, é possível promover campanhas de advocacy e até mesmo influenciar decisões políticas. Neste artigo, vamos discutir a importância do uso das redes sociais nas estratégias de advocacy e apresentar algumas dicas para criar conteúdo relevante e engajador. Também vamos mostrar alguns cases de sucesso que demonstram o poder das redes sociais como ferramenta de advocacy. Principais redes sociais utilizadas para advocacy As redes sociais têm um papel fundamental no cenário atual, pois são uma das principais formas de comunicação e interação. Elas permitem que as pessoas se conectem com facilidade e alcancem um público muito maior do que seria possível por meio de outras mídias. Por essa razão, elas se tornaram uma ótima ferramenta para mobilizar e engajar pessoas em torno de causas e interesses comuns. Além disso, as redes sociais também oferecem uma grande variedade de recursos para criar conteúdo relevante e engajador, como vídeos, imagens e infográficos. Isso permite que as organizações e grupos de interesse envolvidos em advocacy possam criar campanhas atraentes e eficazes para chamar a atenção do público e incentivar a ação. Essas campanhas podem ser compartilhadas facilmente pelos usuários das redes sociais, o que amplia ainda mais o alcance e impacto das ações de advocacy. Existem várias redes sociais que podem ser utilizadas para advocacy, mas algumas são mais populares do que outras. As principais são: Facebook: Com quase 3 bilhões de usuários ativos, o Facebook é a maior rede social do mundo e pode ser a ferramenta certeira para mobilizar pessoas em torno de causas importantes. Twitter: O Twitter é conhecido por sua velocidade e alcance global. Ele é uma ótima opção para compartilhar informações rapidamente e engajar seguidores em torno de um assunto de interesse. Instagram: Com mais de 2 bilhões de usuários ativos, o Instagram é uma ótima opção para compartilhar imagens e vídeos que apoiem sua campanha de advocacy. LinkedIn: O LinkedIn é uma rede social profissional e pode ser utilizado para alcançar políticos, empresários e outras pessoas influentes em sua causa. Além das redes sociais mencionadas, tidas como as redes sociais mais tradicionais, existem outras plataformas que também podem ser utilizadas em estratégias de advocacy. Entre elas, podemos citar: TikTok: Essa rede social de compartilhamento de vídeos curtos tem ganhado popularidade nos últimos anos e vem se mostrando uma ferramenta útil para alcançar um público mais jovem. É possível criar vídeos com conteúdo educativo e informativo sobre questões importantes, como direitos humanos, meio ambiente e saúde pública. Reddit: Essa rede social de fóruns online permite que os usuários discutam e compartilhem informações sobre uma ampla variedade de tópicos. Os grupos de discussão, ou subreddits, podem ser utilizados para criar comunidades em torno de questões específicas, onde é possível trocar informações e engajar pessoas para a defesa de causas importantes. YouTube: O YouTube é uma plataforma de compartilhamento de vídeos que pode ser usada para criar conteúdo educativo e informativo sobre questões importantes. É possível criar canais e playlists de vídeos relacionados a um tema específico, aumentando o alcance das ações de advocacy. Embora não seja considerada uma rede social tradicional, mas um aplicativo de troca de mensagens, o WhatsApp é uma plataforma amplamente utilizada em todo o mundo. Ele pode ser utilizado para criar grupos de discussão e mobilizar pessoas em torno de questões políticas e sociais importantes. Conteúdo para estratégias de advocacy nas redes sociais Uma vez que você já sabe qual é a rede social que vai usar para garantir engajamento na sua causa, é importante seguir alguns passos para se ter certeza de que vai alcançar os seus objetivos. Assim como as ações de lobby, as ações de advocacy também precisam de um direcionamento para a definição do que você quer conseguir ao final de sua campanha. Então, antes de criar o seu conteúdo, responda às seguintes perguntas: Qual o problema eu quero resolver? Qual a mudança que eu quero gerar? Quem são os meus influenciadores e opositores? Quais os recursos e ferramentas que eu preciso para a criação do meu conteúdo? Após responder a essas perguntas, monte uma narrativa que vai ajudar o seu público a se identificar com a sua campanha. Para isso, construa uma base de conhecimento a partir de dados que expliquem o problema e a necessidade de solucioná-lo. Também é importante que as suas mensagens sejam claras e objetivas, facilitando o entendimento e aumentando o alcance para o maior número possível de visualizadores. Tendo isso em mente, você poderá construir conteúdos em formatos variados como: Vídeos: Os vídeos são uma ótima forma de envolver o público e podem ser utilizados para contar histórias, mostrar evidências e chamar à ação. Imagens: As imagens podem ser utilizadas para ilustrar os efeitos da causa em questão ou destacar a importância da mesma. Infográficos: Os infográficos são uma forma visual de apresentar informações complexas de forma clara e fácil de entender. Artigos: Os artigos podem ser utilizados para explicar a causa em detalhes, destacar soluções e promover eventos. Cases de sucesso de advocacy nas redes sociais Existem muitos exemplos de cases de advocacy que utilizaram as redes sociais como ferramenta para mobilizar e influenciar a opinião pública. Alguns deles são: Movimento #MeToo O movimento #MeToo começou como uma hashtag no Twitter em 2017 e rapidamente se espalhou para outras redes sociais. A campanha foi criada para aumentar a conscientização sobre o assédio sexual e encorajar as vítimas a compartilhar suas histórias. O movimento levou à queda de vários homens poderosos em Hollywood e em outras indústrias. Campanha contra o racismo no futebol Em 2021, jogadores de futebol da Premier League, a liga inglesa de futebol, fizeram uma campanha contra o racismo nas redes sociais. Eles postaram fotos em preto e branco com a hashtag #Enough para denunciar o racismo no futebol e encorajar ações contra ele. A campanha ajudou a conscientizar o público sobre a questão do racismo no esporte e incentivou as autoridades a tomar medidas para combatê-lo. Campanha contra a violência policial O movimento Black Lives Matter começou em 2013 após a morte de Trayvon Martin, um jovem negro morto a tiros por um segurança voluntário em Sanford, Flórida. O movimento ganhou força nas redes sociais em 2020, após o assassinato de George Floyd pela polícia em Minneapolis, Minnesota. Os protestos e campanhas nas redes sociais levaram à implementação de mudanças significativas nas políticas policiais em todo o mundo. É importante lembrar que a escolha das redes sociais a serem utilizadas em estratégias de advocacy deve levar em conta o perfil do público-alvo e o tipo de conteúdo que será produzido. Cada plataforma tem suas particularidades e requer uma abordagem diferente para alcançar resultados positivos. A equipe Inteligov está sempre em busca de novidades e metodologias que podem te ajudar nas suas estratégias de relações governamentais. Todas as informações sobre as movimentações na política podem ser acessadas pela nossa plataforma. 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